Mais de duas décadas após um dos crimes mais audaciosos da história do Pará, a Justiça Federal condenou um dos integrantes da quadrilha responsável pelo roubo de 289 quilos de ouro da mineradora Vale. O crime, ocorrido em novembro de 1999 no Aeroporto da Serra dos Carajás, em Parauapebas (PA), teve sua sentença divulgada nesta quarta-feira (28), encerrando uma espera de 26 anos por justiça em relação a este réu específico.
A Justiça Federal acolheu os pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e aplicou a Luiz Antonio da Silva a pena de 10 anos e 11 meses de prisão em regime inicialmente fechado. O condenado, que estava foragido, foi localizado apenas em 2023, na cidade de Goiânia (GO).
Um assalto cinematográfico
O que tornou o crime emblemático na época, além do volume da carga, foi o local escolhido: o Aeroporto da Serra dos Carajás. Situado no topo da serra, a apenas três quilômetros da vila de trabalhadores, o local funcionava como uma área de segurança máxima controlada pela então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).
Para chegar ao aeroporto por terra, era necessário atravessar portarias com vistorias rigorosas e identificação obrigatória. O local concentrava as principais jazidas de ouro da empresa, o que tornava a logística do assalto um desafio quase intransponível, rompido pela violência e planejamento do grupo.
Na manhã do dia 5 de novembro de 1999, o bando — composto por cerca de 13 pessoas trajando roupas camufladas e capuzes — surpreendeu a segurança ao emergir de um matagal próximo à pista. A dinâmica do crime foi violenta, os criminosos dispararam contra vigilantes e utilizaram escopetas para destruir equipamentos de comunicação da Infraero, impedindo pedidos de socorro.
Após roubarem o ouro que estava em um helicóptero da Vale, os assaltantes tomaram o controle de um avião bimotor. O piloto e o copiloto foram sequestrados e obrigados, sob ameaça de armas de guerra, a voar até uma pista clandestina em uma fazenda no município de São Félix do Xingu.
Depois do pouso, os criminososdescarregarem o ouro à margem do Rio Xingu e fugiram em uma “voadeira” (barco a motor) e, posteriormente, em um automóvel rumo a Brasília.
A atuação do condenado e o valor do ouro
Segundo as investigações do MPF, Luiz Antonio da Silva não teve uma participação secundária. Ele era o responsável pelo transporte do armamento de grosso calibre e sua residência servia como ponto de encontro para o planejamento da logística do assalto.
A carga roubada, avaliada em R$ 4,8 milhões na época, hoje atingiria cifras astronômicas. Considerando a cotação atual do ouro, os 289 quilos equivalem a aproximadamente R$ 200 milhões. Embora sete envolvidos tenham sido presos em uma operação no ano 2000, o ouro nunca foi recuperado.
A sentença atual ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília. Outros integrantes do bando já foram condenados ao longo dos anos, enquanto alguns permanecem foragidos.
Redação CKS Online











