Uma pesquisa inédita revela que, apesar da significativa arrecadação gerada pela mineração, muitas cidades do Brasil enfrentam graves desafios sociais. O estudo, que avaliou as condições de vida em 79 municípios mineradores do país, aponta um descompasso entre a riqueza econômica e o bem-estar da população, com o Pará se destacando negativamente nesse cenário.
A pesquisa utilizou o Índice de Condições de Vida (ICV), com base em critérios como saúde, educação, infraestrutura e meio ambiente, e constatou que a maioria dos municípios mineradores possui condições de vida “baixas” ou “muito baixas”. A média geral do ICV para essas cidades foi de 0,53, um valor quase idêntico à média nacional, indicando que a mineração, por si só, não tem sido um fator de melhoria substancial da qualidade de vida.
Destaque para Parauapebas e as cidades paraenses
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O Pará se tornou um ponto central da análise. Dos 79 municípios mineradores pesquisados, 13 estão no estado, e quatro dos cinco com os piores resultados do país são paraenses: Santa Maria das Barreiras, Ipixuna do Pará, Cumaru do Norte e Oriximiná. Santa Maria das Barreiras obteve o pior ICV do ranking, com apenas 0,29.
O estudo também lança luz sobre a situação de Parauapebas, município com um dos maiores Produtos Internos Brutos (PIB) per capita do Brasil, impulsionado pela mineração. A pesquisa demonstra que essa riqueza não se traduz em melhores condições de vida. O custo de vida em Parauapebas é 10,2% superior ao da capital Belém, e o município enfrenta uma sobrecarga de gastos públicos em áreas essenciais.
A pesquisa também indica que a mineração pressiona o mercado imobiliário e aumenta as despesas pessoais. Em Mariana (MG), por exemplo, o aluguel é 27,5% mais caro que na cidade vizinha de João Monlevade, enquanto em Parauapebas, o custo de roupas chega a ser quase 30% maior que em Belém.
Além disso, dados revelam que a cidade gastou no total, com o social R$ 3,5 bilhões, em dados de 2021, contra uma arrecadação de R$ 1,5 bilhão. Áreas como saúde, educação, assistência social e infraestrutura apresentaram um alto custo per capita, evidenciando as dificuldades persistentes na oferta de serviços básicos, mesmo com a alta arrecadação mineral.
A pesquisa conclui que, embora as cidades mineradoras superem levemente a média brasileira em Capacidades Socioambientais, como saúde e educação, a riqueza gerada pela atividade mineral não tem garantido um desenvolvimento social proporcional.








