Circlua articula parceria com Prefeitura de Parauapebas para transformar rejeitos da mineração em material de construção

Durante a COP 30, representantes da empresa apresentaram para o prefeito Aurélio Goiano o projeto de instalação de uma fábrica no município.

Prefeito Aurélio Goiano se reuniu em Belém (PA) com representantes da Circlua.

Parauapebas se prepara para um momento histórico. Nesta quarta-feira (12), durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que está sendo realizada em Belém (PA), o Prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano, e representantes da empresa Circlua S.A. dialogaram sobre a possibilidade de instalação de uma fábrica inédita na região, voltada à transformação de rejeitos da mineração em materiais sustentáveis utilizados na fabricação de cimento.

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O projeto apresentado pela empresa sinaliza para um novo ciclo de desenvolvimento para o município, unindo mineração, inovação e sustentabilidade em uma mesma iniciativa.

O que são os rejeitos e por que esse projeto é inovador

Quem vive em Parauapebas conhece bem a força da mineração. Todos os dias, toneladas de minério são extraídas das minas de Carajás. No entanto, nem tudo que é retirado do solo é aproveitado. Parte desse material — conhecido como estéril ou rejeito — que sobra do processo de mineração e, até então, não tinha utilidade comercial.

Esses rejeitos são, muitas vezes, armazenados em barragens ou pilhas, ocupando grandes áreas e exigindo monitoramento constante para evitar impactos ambientais.

A Circlua, empresa mineira especializada em economia circular, encontrou uma solução inteligente e sustentável para esse problema: transformar o que antes era descartado em matéria-prima valiosa para a construção civil.

Por meio de uma tecnologia de ponta, os rejeitos arenosos passam por um processo de tratamento e aquecimento controlado, chamado calcinação flash. O resultado é um produto conhecido como material cimentício suplementar (SCM) — um tipo de pó que pode substituir parte do cimento tradicional usado em concretos e argamassas.

Benefício ambiental e econômico

O impacto ambiental dessa tecnologia é enorme. A produção de cimento é uma das atividades que mais emitem gás carbônico (CO₂) no planeta — responsável por cerca de 7% das emissões globais. Ao utilizar o material vindo dos rejeitos, a Circlua reduz drasticamente o uso do clínquer, principal componente poluente do cimento, e consequentemente diminui as emissões de CO₂.

Na prática, o que antes era um problema ambiental se transforma em uma nova fonte de riqueza e desenvolvimento sustentável.

Além disso, o projeto traz benefícios diretos para Parauapebas: geração de empregos, capacitação profissional, movimentação econômica local e fortalecimento da imagem da cidade como polo de inovação ambiental dentro da maior província mineral do planeta.

Localização da fábrica

Segundo o projeto apresentado pela Circlua, a proposta é para que a fábrica seja instalada a cerca de 41 quilômetros da portaria do Gelado, próxima ao Complexo Minerário de Carajás. A iniciativa integraria o Projeto Planta Norte SCM, com previsão de início das operações em 2028.

Na primeira fase, a estimativa é de que seja produzida 1 milhão de toneladas por ano, podendo chegar a 5 milhões de toneladas conforme o avanço das etapas seguintes. A matéria-prima será fornecida pela Vale, por meio de contratos de longo prazo, e o transporte será feito inicialmente por caminhões, até a integração definitiva à Estrada de Ferro Carajás, que levará o produto até o porto do Maranhão, de onde será exportado.

Um marco para o futuro de Parauapebas

Caso o projeto se concretize, representará um marco para o desenvolvimento sustentável de Parauapebas, reforçando o papel do município como referência nacional em inovação no setor mineral.

Para a Prefeitura, a parceria simboliza a transição de um modelo baseado apenas na extração para uma nova fase de valorização e reaproveitamento de recursos, gerando empregos e benefícios sem aumentar o impacto ambiental.

A Circlua, com sede em Belo Horizonte, é reconhecida internacionalmente por unir tecnologia, sustentabilidade e economia circular. O projeto de Parauapebas será um dos maiores da América Latina nesse segmento, consolidando o município como pioneiro na transformação de rejeitos minerais em produtos sustentáveis.

Em resumo: o que atualmente é rejeito — um material sem valor e que precisa ser descartado com cuidado — poderá ser transformado em insumo de alto valor comercial, reduzindo a poluição, criando oportunidades e escrevendo um novo capítulo na história industrial e ambiental de Parauapebas.

ERRATA – Esta matéria inicialmente informou que a Prefeitura de Parauapebas e a Circlua assinariam na tarde de hoje um termo de parceria para a instalação da fábrica, porém, durante o encontro entre o prefeito Aurélio Goiano e representantes da empresa, iniciou-se o dialógo para execução do projeto. Ainda não houve assinatura de nenhum termo.

Redação CKS Online

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