Como mineração a céu aberto pode ‘despertar’ falhas geológicas a 20 km

Retirada de grandes volumes de água subterrânea pode provocar o afundamento do solo e afetar estruturas preexistentes.

Foto: Freepik

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A mineração a céu aberto pode provocar alterações no terreno muito além dos limites de uma mina. Um estudo realizado na Alemanha identificou afundamento do solo a até 20 quilômetros de distância e a reativação de falhas geológicas preexistentes.

A pesquisa analisou a região das minas de carvão a céu aberto da Renânia, entre Aachen e Colônia, no oeste alemão. Os resultados foram publicados na revista científica Engineering Geology.

Segundo os pesquisadores do Centro Helmholtz de Geociências GFZ, o fenômeno está relacionado à retirada de grandes volumes de água subterrânea necessária para manter as operações das minas em segurança.

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A redução do nível do lençol freático provoca mudanças no terreno e pode levar à subsidência, nome dado ao rebaixamento gradual da superfície.

Afundamento do solo chegou a 20 quilômetros das minas
Para investigar os efeitos da mineração, os pesquisadores combinaram dados de satélite com medições geológicas realizadas em campo.

A análise revelou que a subsidência não estava limitada às áreas imediatamente próximas das minas. Alterações no terreno foram identificadas a até 20 quilômetros das bordas das áreas de mineração.

Os pontos mais afetados também não estavam distribuídos aleatoriamente. O afundamento se concentrou e se intensificou ao longo de falhas geológicas que já existiam na região.

Segundo o estudo, essas estruturas foram reativadas pela subsidência associada à atividade de mineração.

Retirada de água subterrânea altera o terreno
Minas a céu aberto podem exigir a retirada contínua de água subterrânea para permitir a exploração das camadas mais profundas em condições seguras. Na região analisada, esse processo reduziu o nível do lençol freático e desencadeou uma subsidência disseminada.

À medida que o terreno sofre essas alterações, falhas geológicas antigas podem voltar a apresentar movimentos.

O estudo chama atenção justamente para a extensão desse processo. Embora minas subterrâneas já sejam frequentemente relacionadas ao afundamento do solo, os efeitos associados às grandes minas a céu aberto são menos conhecidos.

Impactos já são visíveis na região
Os efeitos das alterações no terreno também podem ser observados na infraestrutura da região. Rachaduras apareceram em edifícios e estradas localizados nas áreas afetadas.

Em um dos casos relatados, uma escola se deslocou cerca de meio metro em decorrência da movimentação do terreno.

A mineração continua ativa na região estudada. Por isso, os pesquisadores avaliam que o afundamento do solo provavelmente continuará durante décadas.

Satélites podem ajudar a mapear áreas de risco
Além de identificar os efeitos da mineração, o estudo aponta uma forma de acompanhar regiões sujeitas à subsidência.

A combinação de monitoramento por satélite e informações geológicas permite identificar onde o terreno apresenta maior movimentação e como essas alterações se relacionam às falhas existentes. Esses dados podem ser utilizados para elaborar mapas regionais de risco de subsidência.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de monitoramento pode ajudar comunidades a antecipar áreas mais vulneráveis e orientar o planejamento de uma infraestrutura mais resistente aos movimentos do terreno.

Texto: Vanessa Loiola / Exame

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