Conheça história da paraense aliciada pelo Estado Islâmico, que teve filho com jihadista, foi presa, e agora retornou ao Brasil

Karina Aylin Rayol Barbosa era estudante de jornalismo da UFPA quando se converteu ao islamismo, conheceu jihadistas na internet e se mudou para a Síria, onde viveu uma jornada de fugas e sobrevivência

A paraense Karina Aylin Rayol Barbosa, de 28 anos, retornou ao Brasil nesta quarta-feira (27), depois de ter passado nove anos de uma jornada inimaginável desde que foi aliciada pelo grupo terrorista Estado Islâmico. Ela chegou ao Aeroporto de Guarulhos em um voo vindo de Damasco, na Síria, acompanhada de agentes da Polícia Federal e diplomatas brasileiros. Karina é a única brasileira que se uniu ao grupo terrorista e ainda está viva, segundo informou o Jornal Folha de São Paulo. Ela estava detida desde 2019 em campos de prisioneiros curdos.

Karina deixou Belém em abril de 2016, quando ainda era estudante de jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA). Na época, ela disse à família que ia fazer um trabalho de faculdade, mas, na verdade, pegou voos para São Paulo e depois Istambul, na Turquia, de onde seguiu por terra para Aleppo, na Síria. Segundo informações da Folha de São Paulo, a família de Karina era católica e nunca teve relação com o islamismo. Ela se converteu em 2014, após fazer um curso de árabe oferecido pelo engenheiro marroquino Saif Mounssif, que era professor na UFPA e imã do Centro Islâmico Cultural do Pará.

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A brasileira passou a viver no califado de Raqqa, a capital simbólica do Estado Islâmico. A organização dominou vastas áreas na Síria e no Iraque e estabeleceu uma complexa estrutura burocrática. Assim como outros estrangeiros, Karina foi seduzida pela propaganda de “hiperviolência e justiça” disseminada pelo grupo nas redes sociais e por uma ampla rede de aliciadores. “Não conseguimos ver que ela estava entrando em um caminho muito diferente do que imaginávamos”, afirmou Karen Rayol, irmã de Karina, em relato à Folha de São Paulo.

Com a queda de Raqqa em 2017, Karina fugiu para o Vale do Eufrates, e mais tarde, para Baghuz, o último bastião do grupo. Ela acabou presa pelas forças curdas e enviada, junto com o filho, para o campo de prisioneiros de Al-Hol, no Curdistão sírio. “Karina estava presa com o filho desde 2019. Tentou fugir dos campos algumas vezes, mas foi recapturada”, segundo reportagem da Folha de São Paulo. Em sua última tentativa, em setembro de 2024, ela escapou com um grupo de estrangeiras radicais, mas foi recapturada e passou seis meses em confinamento solitário.

Karina tentava ser repatriada desde 2019, mas o governo brasileiro nunca prestou apoio à família. Segundo a reportagem, a Defensoria Pública da União entrou com uma ação na Justiça Federal exigindo que o governo prestasse assistência a ela e ao filho. O defensor regional dos Direitos Humanos da DPU, Marcos Wagner Teixeira, disse: “Nunca houve nenhum esforço para a repatriação, que é um direito dos dois como cidadãos brasileiros”.

A paraense chegou ao Brasil com o filho de sete anos, fruto de seu casamento com um membro do grupo terrorista na Síria. Ela foi ouvida por um delegado da Polícia Federal e entregue à família, que vive atualmente em São Paulo. Karina não foi acusada de terrorismo no Brasil e não foi indiciada por nenhum crime. No entanto, ela será monitorada pela Polícia Federal e por agências internacionais de inteligência.

Em 2024, o programa Domingo Espetacular, da Record, fez uma grande reportagem sobre o drama da família, e as tentativas frustradas de repatriar a jovem.

Confira a íntegra abaixo:

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