Deu na DW Brasil: TV da Alemanha destaca rápido crescimento e desafios de Canaã dos Carajás

Serviço de notícias no país da estatal alemã publicou extensa reportagem sobre o desenvolvimento da cidade mineradora, e a dificuldade de melhoria dos indicadores sociais

Em uma reportagem aprofundada publicada neste sábado (25), a DW Brasil, serviço no país da TV Estatal da Alemanha, abordou o cenário de rápido desenvolvimento e complexos desafios que marcam Canaã dos Carajás, no Pará. O CKS Online traz, com exclusividade paa a região, os principais pontos abordados na matéria. O município se tornou um polo de crescimento econômico sem precedentes no Brasil, impulsionado pela exploração de minério de ferro. Entre 2009 e 2021, seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita disparou impressionantes 2.803%, alcançando R$ 894.806, o segundo maior do país. Essa ascensão vertiginosa está diretamente ligada às operações do moderno complexo S11D da Vale, que em apenas um trimestre de 2025 produziu 19,3 milhões de toneladas de minério de ferro.

Contudo, a DW Brasil destaca uma contradição flagrante: a imensa riqueza gerada no município não se reflete em melhorias significativas na vida da maioria de seus habitantes. Especialistas entrevistados pela reportagem, como Marco Antônio Lima, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), alertam que o expressivo crescimento do PIB per capita “mascara a distribuição real dos recursos, que permanecem altamente concentrados”. João Paulo Loureiro, professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), complementa ao observar que, enquanto uma pequena parcela da população desfruta de um alto padrão de vida, quase metade das famílias depende de auxílios públicos e do trabalho informal.

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A história de Wellington Rochedo, de 32 anos, exemplifica a esperança e a realidade de muitos que buscam prosperidade em Canaã dos Carajás. Ele se mudou para a cidade em 2016 e, hoje, atua como gerente em uma loja de materiais de construção, com um salário de cerca de R$ 3 mil. Sua esposa, Jocyelen Costa, encontrou uma oportunidade empreendedora ao abrir um salão de design de sobrancelhas nos fundos da casa, complementando a renda familiar em aproximadamente R$ 1,5 mil. Embora reconheça uma melhora em sua condição, a DW Brasil ressalta que essa experiência individual não representa o panorama geral de “riqueza para todos”.

A análise da DW Brasil aprofunda a contradição ao apontar que, apesar do vultoso PIB, indicadores sociais básicos permanecem estagnados. Em 2010, apenas 35% da população tinha acesso a esgoto tratado, e 40% viviam com menos de meio salário mínimo. Dados de 2022 do IBGE, citados pela reportagem, indicam que a porcentagem de pessoas sem esgoto tratado se manteve inalterada, e cerca de 11 mil famílias ainda sobrevivem com metade de um salário mínimo. A Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que injetou mais de R$ 1,27 bilhão no município em 2023, levanta questionamentos sobre a eficácia de sua aplicação na melhoria da qualidade de vida local.

A rápida transformação de Canaã dos Carajás, cuja população saltou de 26,7 mil em 2010 para mais de 77 mil em 2022, resultou em uma bolha imobiliária e na segregação social, como detalhado pela DW Brasil. Trabalhadores qualificados se instalaram em condomínios de luxo, enquanto a maioria sem qualificação foi marginalizada para bairros periféricos. A Vale, por sua vez, reitera seu apoio ao município através de projetos em diversas áreas e um recente investimento de R$ 70 bilhões no Programa Novo Carajás, focado na produção de cobre e minério de ferro de alta qualidade, essenciais para a transição energética global.

No entanto, a DW Brasil conclui a reportagem com a ressalva de que os impactos sociais e ambientais da mineração persistem. Fontes ouvidas pela reportagem mencionam o aumento da violência, a exploração sexual de crianças e adolescentes, a poluição de rios e a questão do pó de minério de ferro liberado pelos trens, que representa um risco à saúde da população. Apesar das medidas de mitigação da Vale, o professor João Paulo Loureiro permanece cético, observando que a economia local está presa a ciclos dependentes dos anúncios da mineradora, o que impede um desenvolvimento verdadeiramente autônomo e sustentável para a região.

Para ler a reportagem completa, clique aqui para acessar o site da DW.

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