EUA articulam simpósio sobre minerais raros em São Paulo para reduzir dependência da China

O Ibram foi acionado pelos diplomatas americanos para apoiar a organização e mobilizar as principais mineradoras

Com o objetivo de fortalecer sua soberania mineral e diversificar as cadeias de suprimentos globais, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil organiza um simpósio sobre minerais críticos, previsto para ocorrer em março, na cidade de São Paulo. A iniciativa, confirmada pela CNN, reflete o esforço do governo de Donald Trump em mitigar a hegemonia chinesa no setor.

A realização do evento foi ratificada à CNN Money por integrantes da embaixada e pelo presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o general da reserva Fernando Azevedo e Silva. O Ibram foi acionado pelos diplomatas americanos para apoiar a organização e mobilizar as principais mineradoras que operam no segmento de minerais críticos em solo brasileiro.

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A movimentação ocorre em um cenário de crescente tensão comercial. Atualmente, a China detém o controle de grande parte da cadeia produtiva, desde a extração até o refino de materiais essenciais para a tecnologia moderna. De acordo com informações apuradas pela CNN, a estratégia americana foca especialmente em terras raras, cuja exportação sofreu restrições recentes por parte de Pequim.

A vulnerabilidade do Ocidente é evidenciada por dados da Agência Internacional de Energia (IEA) que mostram que 91% do refino global de terras raras é realizado por mineradoras chinesas e 94% da produção de ímãs permanentes — vitais para motores elétricos, turbinas e equipamentos de defesa — provém da China.

A proposta do simpósio é o desdobramento de uma articulação iniciada em outubro pelo encarregado de Negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar. Conforme reportado pela CNN, Escobar sugeriu a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir parcerias estratégicas, realizando, desde então, uma série de reuniões com empresas do setor para identificar potenciais acordos.

“Mineradoras ocidentais acusam a China de praticar ‘precificação predatória’ e utilizar subsídios para gerar excesso de oferta, o que inviabiliza projetos concorrentes fora do eixo asiático”, destaca a apuração da CNN.

Para garantir a viabilidade desses novos projetos no Brasil, o governo americano já sinalizou suporte financeiro. O EXIM Bank (Export-Import Bank of the United States) emitiu cartas de intenção de financiamento para operações de lítio e terras raras no país, reforçando o interesse dos EUA em transformar o Brasil em um parceiro central na segurança mineral do hemisfério.

O simpósio em São Paulo deverá servir como o principal palco para a formalização desses interesses e a prospecção de novos investimentos em mineração de alto valor agregado.

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