Uma investigação detalhada pelo Fantástico, da Rede Globo, revelou um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos envolvendo o prefeito de Ananindeua (PA), Dr. Daniel Santos (PSB). O centro do escândalo é uma mansão de luxo avaliada em R$ 4 milhões, localizada em Fortim, no litoral do Ceará. Segundo o Ministério Público, o imóvel teria sido quitado por meio de uma complexa rede de pagamentos efetuados por empresas que mantêm contratos com a prefeitura paraense.
De acordo com a reportagem do Fantástico, os investigadores apelidaram o esquema de “vaquinha da corrupção”. O padrão identificado aponta que, logo após receberem pagamentos da prefeitura por serviços de educação e saúde, empresas como a Neo BRS e a Ferreira Comercial transferiam valores expressivos para quitar parcelas da casa de veraneio. Em um dos casos, uma fornecedora de materiais escolares repassou R$ 866 mil para o pagamento do imóvel apenas um dia após receber verbas municipais.
O programa dominical destacou que a mansão, registrada em nome da Agropecuária JD (propriedade do prefeito), não é o único bem de luxo sob suspeita. A investigação aponta uma evolução patrimonial incompatível com a renda declarada de Dr. Daniel, incluindo uma aeronave particular de R$ 10,9 milhões e uma coleção de relógios de luxo, como Rolex e Patek Philippe, avaliada em mais de R$ 4 milhões, encontrada em um apartamento em Fortaleza.
O Fantástico também trouxe à tona a participação de agentes públicos no esquema. O vereador Alexandre Gomes, que assumiu a Secretaria de Habitação de Ananindeua em 2024, é citado por ter realizado depósitos que somam R$ 1 milhão para a compra da casa no Ceará através de uma construtora ligada a ele, apenas cinco dias após tomar posse no cargo executivo.
A reportagem ressaltou que o Ministério Público solicitou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens do prefeito. Entre o patrimônio listado estão fazendas e outros imóveis que excedem drasticamente os R$ 4,8 milhões declarados por Daniel Santos à Justiça Eleitoral em 2024. O caso ganhou contornos jurídicos complexos ao chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), após tentativas da defesa de envolver o foro privilegiado da esposa do prefeito, a deputada federal Alessandra Haber.
Segundo o Fantástico, houve uma tentativa de transferir a escritura da mansão de Fortim para o nome da deputada logo após o início das operações policiais. No entanto, o cartório não concluiu o processo devido à falta de comprovação da origem lícita dos recursos. O Ministério Público sustenta que a manobra foi uma tentativa de ocultação de patrimônio e de deslocamento da competência jurídica para o tribunal superior.
Atualmente, o processo enfrenta um impasse jurídico. A defesa de Dr. Daniel recorreu ao STF alegando irregularidades na atuação do Ministério Público do Pará. O ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão temporária das investigações até que o mérito do pedido de anulação seja analisado pela Corte, o que paralisou o andamento das ações de busca e apreensão e análise de provas.
O Fantástico informou que tentou contato direto com o prefeito na sede da prefeitura de Ananindeua e por meio de seus representantes, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. A reportagem reforçou que as investigações continuam sob sigilo em relação a outros possíveis beneficiários do esquema que desviou verbas destinadas a áreas fundamentais como saúde e infraestrutura.
Em nota oficial, a defesa do Dr. Daniel Santos rebateu as acusações do Ministério Público, classificando-as como falsas e denunciando o que chama de “perseguição política” arquitetada”. O prefeito afirma que o “uso de instituições estaduais para desgastar sua imagem ocorre em um momento estratégico, dada a sua pré-candidatura ao governo do Pará e a abertura da janela partidária”, o que caracterizaria uma interferência direta no equilíbrio do debate público e no ambiente eleitoral.
O comunicado destaca ainda que as investigações foram suspensas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 06/03/2026, devido a ilegalidades identificadas na atuação do Ministério Público do Pará. A defesa critica a veiculação das denúncias pelo Fantástico, classificando a reportagem como sensacionalista por divulgar conteúdos sem o devido trânsito em julgado e ignorar o contexto jurídico atual que invalida, temporariamente, as provas colhidas no processo.








