Uma ofensiva contra a degradação ambiental resultou na desarticulação de uma complexa rede de garimpo e extração ilegal de madeira no coração do Mosaico de Carajás, no sudeste do Pará. Entre os dias 10 e 18 de março de 2026, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) liderou a Operação Marco Zero, uma ação conjunta que mobilizou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal, a Força Nacional, a Polícia Militar e a Guarda Florestal.
O alvo da operação foi o território gerido pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio em Carajás, uma área vasta de 800 mil hectares que abrange as Florestas Nacionais de Carajás e Itacaiunas, a Reserva Biológica do Tapirapé, o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos e a APA do Igarapé Gelado. O território abrange os municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Marabá e São Félix do Xingu.
Uma década de cerco ao crime organizado
Segundo órgãos de inteligência judiciais e ambientais, o território de Carajás vem sendo assolado nos últimos 10 anos por ações contínuas de degradação. O que antes eram ações isoladas transformou-se em uma cadeia organizada e consolidada de extração de minérios e desmatamento. O avanço dos infratores, que utilizam inclusive tecnologia via satélite, motivou a mobilização das forças de segurança para cessar danos de grande proporção à bacia hidrográfica do Rio Itacaiunas e à biodiversidade local.
Rastro de destruição e prejuízo milionário
As equipes avançaram sobre áreas críticas e constataram cenários de devastação profunda. Imagens aéreas revelaram crateras abertas no meio da mata e rios com águas turvas devido ao assoreamento e contaminação. Rios como o Azul, Verde, Itacaiunas e Parauapebas apresentam sinais graves de comprometimento.




Em sete dias de Operação, os resultados do trabalho foram a destruição de 37 acampamentos e 15 escavadeiras hidráulicas; apreensões de motores, geradores, transformadores, armas e mais de 12 mil litros de combustível. Foram apreendidos também mais de 100 metros cúbicos de madeira, incluindo espécimes de castanheira, cuja extração é proibida por lei.
O prejuízo financeiro estimado aos infratores ultrapassa a marca de R$ 8 milhões. Embora 14 pessoas tenham sido abordadas para identificação, ninguém foi preso durante a ação, mas a operação logrou êxito na identificação de lideranças que promovem os crimes ambientais na região.
Próximos passos
O ICMBio e as instituições parceiras reafirmam que o monitoramento será intensificado. A Operação Marco Zero marca um ponto de inflexão na estratégia de proteção das Unidades de Conservação de Carajás, com o objetivo de destruir toda e qualquer estrutura logística que sustente o avanço do crime ambiental no Pará.

As investigações judiciais continuam para responsabilizar os financiadores da cadeia de extração mineral e madeireira.
Redação CKS Online com informações do ICMBio e G1











