Em um mundo marcado por tensões geopolíticas e a urgência da transição energética, a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2025) colocou em debate o papel estratégico da mineração. Na manhã desta terça-feira (8), o talk-show “Perspectivas Econômicas e Geopolíticas para a Mineração” reuniu executivos de peso para discutir os impactos do cenário global sobre o setor.
O painel foi moderado por Lígia Paula Sica, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da Sigma Lithium, e contou com a presença de líderes de gigantes como Alcoa, CBMM, CBA, Aura Minerals e Anglo American.
Mineração sob pressão: o contexto global
Ao abrir o debate, Lígia Paula Sica contextualizou o cenário de disputa por recursos críticos. “Vivemos um momento em que o mundo está quente, e a mineração desempenha um papel estratégico ao influenciar mercados e relações internacionais”. Ela observou que os países buscam garantir acesso seguro a minerais essenciais para a transição energética, utilizando “diferentes armas para esta finalidade”.
O painel reuniu:
- Daniel dos Santos – Presidente da Alcoa Brasil e vice-presidente das Operações;
- Eduardo Mencarini – Head de Estratégia na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM);
- Luciano Alves – CEO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)
- Rodrigo Barbosa – CEO da Aura Minerals;
- Ruben Fernandes – Chief Operating Officer (COO) Global na Anglo American.
Legado e competitividade brasileira
Os executivos trouxeram diferentes perspectivas sobre como a mineração brasileira deve se posicionar globalmente.
Daniel dos Santos destacou o legado de seis décadas da Alcoa no Brasil e o foco na integração comunitária, citando o Instituto Juruti Sustentável (IJUS), no Pará, como modelo de gestão autônoma. Ele ressaltou ainda o compromisso com a diversidade, mencionando que 30% da participação feminina está nos postos de trabalho e 33% nos cargos de liderança. Para Santos, “Deixar um legado para as próximas gerações é parte essencial da nossa missão”.
Luciano Alves analisou os desafios impostos pelas tarifas do governo dos EUA sobre o alumínio brasileiro e a crescente demanda por produtos de baixa pegada de carbono. “Os países que têm dificuldade em produzir com baixo carbono enfrentam barreiras para vender,” alertou. Alves destacou que o diferencial brasileiro reside no “custo competitivo, na qualidade do produto e na sustentabilidade”.
Rodrigo Barbosa apontou a valorização do ouro como ativo de refúgio em meio às incertezas globais e à guerra na Ucrânia. Ele sugeriu que a neutralidade geopolítica do Brasil confere ao país uma posição privilegiada, podendo atuar como parceiro estratégico tanto dos Estados Unidos quanto da China.
Eduardo Mencarini celebrou os 70 anos da CBMM e enfatizou a inovação como eixo central da competitividade brasileira. Para ele, a cooperação entre os atores da mineração é “imprescindível para atingir as metas globais de redução de emissões e garantir crescimento sustentável”.
Ao final do debate, Lígia Sica sintetizou a missão da EXPOSIBRAM: promover diálogo e integração, ressaltando que o desafio é fazer da transição energética uma “jornada colaborativa, com segurança, inovação e propósito coletivo”.
Por CKS Online / Cobertura especial Exposibram 2025 | Salvador (BA)











