Lançamento do Sistema de Rastreabilidade Bovídea é sucesso e abre portas para produtores de Parauapebas venderem a grandes frigoríficos

Evento reuniu produtores, técnicos e representantes da indústria frigorífica para discutir como a tecnologia pode abrir mercados e valorizar a pecuária paraense.

O avanço da rastreabilidade na pecuária do Pará foi o tema central do lançamento do Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), promovido pela Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror) de Parauapebas, nesta sexta-feira (4). A iniciativa, voltada aos produtores rurais da região, para esclarecer os detalhes do programa e tirar as dúvidas sobre suas vantagens e benefícios, foi considerada um sucesso tanto em termos de organização quanto pela forte presença de médios e grandes produtores, além de representantes da cadeia frigorífica.

Durante a programação, autoridades e técnicos reforçaram a importância da rastreabilidade como ferramenta estratégica para ampliar a presença da carne paraense em mercados mais exigentes e agregar valor à produção.

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Um dos destaques foi a fala de Karinny Campos, da Gerência de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), ao ressaltar que os produtores que já estão realizando a identificação dos animais saem na frente na disputa por espaço nos frigoríficos de grande porte da região.

Karinny Campos – Representante ADEPARÁ

“O agricultor que já está fazendo esse trabalho de identificação tem grandes chances de vender sua carne para grandes frigoríficos, como o JBS, entre outros que já estão engajados nesse processo”, afirmou Campos.

Rastreabilidade: exigência legal e oportunidade comercial

De acordo com a Sempror, a rastreabilidade será obrigatória para todos os animais em trânsito no Pará a partir de 31/12/2025, conforme diretriz local.
Entretanto, o processo já está em andamento no Estado, com uma estrutura organizada para atender, principalmente, os pequenos produtores.

Durante o evento, o secretário adjunto da Sempror, Éder Ramiro, reforçou que a iniciativa é definitiva e não deve ser motivo de preocupação para o produtor rural.

Eder Ramiro – Secretário adjunto da Sempror

“É um projeto que não volta mais. Não há motivo para alarde. Já temos técnicos preparados, treinamentos disponíveis e apoio direto ao produtor. Essa tecnologia vai facilitar tanto a gestão da propriedade quanto os negócios”, explicou Ramiro.

Ele também destacou o papel da secretaria no combate à desinformação. Segundo ele, boatos de que a medida seria usada para fiscalização ou que prejudicaria o pequeno agricultor são infundados.

“Escutamos ainda que isso vai acabar com o pequeno produtor. Isso não é verdade. A rastreabilidade vem para agregar e é uma exigência do mercado”, completou.

Atendimento gratuito e articulação com frigoríficos

Karinny Campos também destacou que os produtores com até 100 cabeças de gado estão sendo atendidos gratuitamente por meio de ações articuladas entre a Adepará e a Sempror. Já os médios e grandes produtores estão sendo atendidos por técnicos ligados aos frigoríficos parceiros, como o JBS, que se comprometeram com o cumprimento dos prazos.

“Essa mobilização entre produtores, frigoríficos e poder público é essencial para que o Pará se antecipe às exigências nacionais e se destaque no cenário da pecuária”, afirmou.

O processo de identificação está sendo realizado diretamente nas propriedades, com técnicos aptos a registrar os animais no sistema e alimentar os dados necessários para garantir a rastreabilidade do rebanho. A expectativa é de que, até o final de 2025, grande parte do rebanho paraense esteja identificado conforme a norma nacional.

Produtores aprovam a iniciativa

Para o produtor rural Roberto Menezes, a rastreabilidade representa uma mudança positiva para o setor.

“O termo ‘rastreabilidade’ ainda assusta. Mas, na prática, é só um controle que vai facilitar a vida do produtor. Vamos conseguir melhorar o preço da carne e abrir mercados. Hoje estamos nas mãos de um único comprador. Isso precisa mudar”, disse.

Roberto Menezes – Produtor rural

Ele também destacou a importância da Sempror como parceira do produtor nesse momento de transição tecnológica.

“A Secretaria está de parabéns. Está na frente e nos preparando para essa inovação que vai ser um divisor de águas”, afirmou.

Próximos passos

Muitos produtores saíram interessados em já marcar a rastreabilidade na sua propriedade após o evento.
Com a estrutura já montada e técnicos cadastrados para atuar diretamente no campo, a Sempror e a Adepará pretendem acelerar a adesão dos produtores e garantir que o Pará seja um dos primeiros estados a cumprir integralmente as exigências de rastreabilidade do Ministério da Agricultura.

A recomendação das autoridades é que os produtores se antecipem. Aqueles que aderirem ao sistema agora terão vantagens comerciais e poderão negociar sua produção com mais facilidade junto aos frigoríficos certificados.

Para garantir que todos os interessados sejam atendidos, a Secretaria Municipal de Produção Rural, em parceria com a Adepará, já está organizando a abertura de mais duas novas turmas, que serão ofertadas no mês de agosto.

Redação CKS online

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