No dia 25 de fevereiro, às 19h, empresários de Parauapebas terão a oportunidade de aprofundar o debate sobre a Reforma Tributária em encontro na Associação Comercial e Industrial de Parauapebas (ACIP). Antecipando a discussão, o CKS Online entrevistou com exclusividade o advogado tributarista Dr. Seno Petri, especialista do Tax Group.
O objetivo é compreender qual será o impacto geral da reforma, sobretudo nos setores que dominam a economia da Província Mineral de Carajás. Segundo ele, a reforma não altera apenas alíquotas, ela muda o modelo de arrecadação e de negócios.
A principal mudança para municípios mineradores, segundo o especialista, é a troca do critério de arrecadação: o imposto deixa de ficar na origem da produção e passa a ser recolhido no local de consumo. Como o minério de Parauapebas é majoritariamente exportado (e exportações são desoneradas) ou consumido fora do município, existe risco de redução de receita direta vinculada à produção mineral no longo prazo.
De acordo com o tributarista, a mineração pode sofrer leve impacto com o Imposto Seletivo, que poderá chegar a 1% sobre a extração mineral. Por outro lado, o novo sistema elimina o efeito cascata e institui crédito amplo: praticamente tudo que a indústria compra – energia, insumos, serviços e máquinas – poderá gerar crédito. Isso reduz o chamado resíduo tributário e pode diminuir o custo efetivo da indústria pesada.
O ponto mais sensível, segundo o especialista, está no setor de serviços. Hoje, muitas empresas pagam entre 8% e 9% de PIS/COFINS + ISS; com o modelo IBS/CBS, a alíquota nominal pode chegar a 26,5%. Ele ressalta que a mineradora contratante poderá se creditar integralmente, mas alerta que será necessária renegociação de contratos, pois a estrutura de preços muda completamente.
Outro ponto crucial é o Split Payment: o imposto poderá ser retido automaticamente no momento do pagamento via cartão ou Pix. Isso altera o fluxo de caixa das empresas, que deixam de administrar o valor do tributo até o fim do mês; para PMEs, o impacto pode ser significativo se não houver organização financeira.
Preparação em 2026
De acordo com o especialista, a fase de testes já começou no início desse ano de 2026. Ele recomenda ações imediatas, como:
- Revisão de NCM;
- Regularização contábil;
- Planejamento tributário de transição;
- Revisão de contratos que atravessem 2027.
Empresas com cadastro incorreto podem ter cálculo automático errado de imposto.
Para o Dr. Seno, a principal mensagem é clara: a Reforma Tributária é uma mudança estrutural. Quem entender desde já a lógica de crédito, compliance e formalização ganhará competitividade; quem esperar para reagir poderá perder margem. O debate completo acontece no dia 25 de fevereiro, às 19h, na ACIP, e a participação do empresariado será decisiva para que Parauapebas se antecipe aos impactos e transforme a mudança em oportunidade.












Uma resposta
Onde será e como faz para se inscrever ?