Morreu em Brasília, aos 73 anos, Raul Jungman, figura central da mineração brasileira e atual presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Reconhecido como um dos articuladores mais influentes do país, Jungman ocupava o comando da associação desde 2023, onde desempenhou o papel estratégico de modernizar a imagem do setor mineral frente aos desafios ambientais. Sua gestão foi marcada pela mediação direta em questões jurídicas complexas, incluindo o acompanhamento dos desdobramentos internacionais da tragédia de Brumadinho e o julgamento do caso em Londres.
A trajetória de Jungman no Ibram foi pautada por uma “missão dupla”: dissociar a mineração do estigma de degradação ambiental e garantir o cumprimento das responsabilidades legais do setor. Mesmo após o diagnóstico de tumores no pâncreas e no peritônio, descobertos em 2024 durante exames de rotina, ele manteve-se ativo na esfera pública. Nesse período, colaborou estreitamente com o Ministro da Defesa, José Múcio, na coordenação de debates sobre o novo regramento legal dos militares, uma pauta que acompanhou até o fim da vida.
Político de diálogo amplo, Jungman construiu uma carreira sólida na administração pública federal antes de migrar para o setor privado. No último ano, enfrentou um rigoroso ciclo de seis meses de quimioterapia. Apesar de ter apresentado melhoras temporárias com tratamentos hormonais, o quadro clínico evoluiu para cuidados paliativos ao longo de 2025. Durante todo o processo, manteve a discrição característica, compartilhando poucas queixas sobre a perda de vitalidade e de paladar, um de seus prazeres pessoais.
Raul Jungman deixa um legado de interlocução entre o poder público e a iniciativa privada, sendo respeitado por sua capacidade de transitar entre diferentes espectros políticos. Ele vivia na capital federal ao lado de sua companheira, Natalie, e deixa filhos.











