MST interdita Projeto Cristalino em Canaã e Ferrovia em Parauapebas para cobrar acordos da Vale e Governo Federal

As famílias Sem Terra da região de Carajás afirmam estar "cansadas de esperar" e exigem respostas imediatas de suas demandas, após um período de trégua e acordos não cumpridos pelo Governo Federal, Incra e a Vale.

Em uma ação coordenada, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) interditou simultaneamente o Projeto Cristalino, em Canaã dos Carajás, e a Estrada de Ferro Carajás (EFC), em Parauapebas, nesta quinta-feira, 22 de maio de 2025. As mobilizações, que envolvem centenas de famílias e milhares de trabalhadores, são um mecanismo de pressão para o cumprimento de acordos firmados em dezembro do ano passado com a mineradora Vale e o Governo Federal.

No Projeto Cristalino, cerca de 800 famílias do Acampamento de Resistência Popular Oziel Alves Pereira ocuparam o local. A ação visa cobrar respostas concretas e o cumprimento de pactos que, segundo o movimento, não foram honrados nos últimos cinco meses.

Continua depois da publicidade

Concomitantemente, em Parauapebas, mais de 6 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST ocupam a Estrada de Ferro Carajás desde as 5h da manhã. O ponto de interdição foi no KM 08, na Estrada Três Voltas. A ação marca o início da Jornada de Lutas por Reforma Agrária Popular para enfrentar a crise ambiental. O MST aponta a mineradora Vale e o latifúndio como principais responsáveis pelos impactos ambientais e pela devastação na região.

As famílias Sem Terra da região de Carajás afirmam estar “cansadas de esperar” e exigem respostas imediatas de suas demandas, após um período de trégua e prazos estabelecidos com o Governo Federal, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Vale. O movimento já anunciou que as mobilizações devem se estender pelo próximo período, indicando que a pressão sobre as autoridades e a mineradora continuará até que as reivindicações sejam atendidas.

As interdições causam impactos significativos na produção e escoamento de minério, além de afetar o trânsito na ferrovia, principal via de transporte da produção da Vale na região de Carajás. As autoridades locais e federais ainda não se manifestaram oficialmente sobre as ações do MST.

Posicionamento da Vale

A Vale informou, por meio de nota, que a circulação do Trem de Passageiros está cancelada nesta quinta-feira (22/05), no sentido de São Luís (MA) para Parauapebas (PA), e seguirá suspensa nesta sexta-feira (23/05), de
Parauapebas para São Luís, por questão de segurança, devido à interdição da Estrada de Ferro
Carajás por integrantes Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pará nesta
madrugada.

“A Vale respeita o legítimo e pacífico direito à manifestação e repudia qualquer ato que impeça o
direito das pessoas ou empresas de desempenharem suas atividades e, sobretudo, que ameace a
segurança e o direito de ir e vir. A empresa adotará todas medidas cabíveis para a liberação imediata
e segura da linha”, afirma a mineradora na nota.

Ainda no comunicado, a empresa reafirma seu compromisso com o Acordo de Cooperação Técnica (ACT), assinado, em abril deste ano, com o Incra, para implementar ações conjuntas para contribuir com a regularização fundiária e a reforma agrária no Pará. Porém, a mineradora não trata do acordo realizado em dezembro de 2024, o qual o MST afirma não ter sido cumprido e é apontado como um dos motivos para as interdições que ocorrem nesta quinta-feira.

Sobre as passagens de trem – Os passageiros podem remarcar o bilhete ou pedir o reembolso do
valor investido na compra da passagem no prazo de até 30 dias. Mais informações sobre reembolso
ou remarcação podem ser obtidas no Alô Vale (0800 285 7000).

Redação CKS Online

Posts relacionados