No comando da usina: Uliliane Costa e a precisão feminina na sala de controle

Minerando Histórias Femininas apresenta a trajetória da engenharia ambiental Uliliane Costa. Com 14 anos de experiência na área e formação multidisciplinar, ela destaca que "mulher dá conta, sim" de atuar na operação mineral.

Uliliane Costa na Sala de Controle / Foto: Acervo pessoal

Há 16 anos, Uliliane Evangelista Costa trocou sua cidade natal Marabá (PA) por Parauapebas (PA), sem saber que aquela mudança geográfica seria o início de uma transformação profissional profunda. Hoje, aos 37 anos, ela não apenas testemunha o crescimento da região, mas opera um dos corações pulsantes da atividade mineral: a sala de controle da usina.

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Com uma bagagem acadêmica robusta — que inclui formação como Técnica em Mineração, Engenharia Ambiental, Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e, atualmente, uma especialização em Liderança e Gestão de Pessoas — Uliliane personifica a nova face da mineração: altamente qualificada e estrategicamente posicionada.

Do administrativo ao coração da usina

A caminhada de Uliliane no setor já soma 14 anos de dedicação. O início na empresa Ligga, em 2022, foi como auxiliar administrativo, mas o destino de quem entende de minério estava na operação. Hoje, como Operadora de Sala de Controle, ela é responsável pelo beneficiamento do minério, controlando equipamentos e fazendo a interface crucial entre as equipes de operação e manutenção.

“Sempre busco os melhores resultados para nossa operação. Coloco os equipamentos em funcionamento, monitoro a qualidade e faço a interface com as outras gerências para que o processo seja contínuo e eficiente”, explica.

Rompendo a barreira do “serviço pesado”

Quando Uliliane iniciou sua jornada, em 2011, o cenário era bem diferente. A presença feminina era quase restrita aos escritórios. Ver uma mulher no comando de processos industriais complexos ainda causava estranheza. Hoje, ela celebra a flexibilização do mercado, mas lembra que o preconceito sobre o “trabalho pesado” é um mito que precisa ser enterrado.

“Temos que deixar esse preconceito de que são serviços pesados e que mulheres não dão conta. Estou aqui como uma prova de que a mulher dá conta, sim. A mulher pode atuar onde ela quiser e é perfeitamente capaz de exercer as mesmas atividades que um homem”, afirma com convicção.

O segredo do sucesso: qualificação e oportunidade

Para Uliliane, o futuro da mineração feminina depende de dois pilares: a abertura de portas pelas empresas e o preparo constante das profissionais. Ela não esconde que ainda deseja alçar voos mais altos, buscando cargos que a impulsionem a crescer tanto como profissional quanto como pessoa.

Para as mulheres que olham para as grandes usinas e sonham com uma oportunidade, o conselho de quem opera o sistema é direto: “Busque qualificação, porque o mercado hoje exige isso. Corra atrás dos seus objetivos, porque a área da mineração também é para as mulheres. Não existe mais aquela história de que essa área é masculina.”

A história de Uliliane Costa reforça o compromisso da nossa série em mostrar que, por trás de cada tonelada de minério extraída em Carajás, existe a sensibilidade técnica e a força de mulheres que escolheram não aceitar limites.

Minerando Histórias é uma coluna do CKS Online que narra a trajetória de pessoas que fizeram/fazem parte da história da Província Mineral de Carajás (PA). Neste Mês da Mulher, realizamos uma edição especial da editoria, entitulada Minerando Histórias Femininas, onde apresentamos a trajetória de diferentes mulheres que trabalham na área da mineração ou tem histórias relacionadas com o setor mineral.

Confira as demais matérias da série já publicadas:

Maria, Maria: a história da mulher que minera a vida em solo Paraense

Da periferia de Belém ao comando em Carajás (PA): a trajetória de Glayce Costa

Redação CKS Online

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