Em meio às serras que pintam a paisagem da zona rural de Parauapebas, um novo capítulo da história local começa a ser escrito. Longe da rotina da mineração, floresce um espaço dedicado à alma camponesa da região: o Museu da Roça de Parauapebas (MURPA), que será inaugurado no próximo dia 27, no Sítio Açaizal. Mais que um acervo, o museu promete ser um convite para uma viagem no tempo, um elo entre o presente e as raízes profundas do homem do campo.
Pedro de Oliveira, da Queijaria Cosa Nostra e um dos idealizadores do projeto, fala com a paixão de quem planta uma semente. Ele enxerga no turismo uma força vital, uma alternativa à economia da mineração. Para ele, o MURPA não é apenas um prédio, mas um ponto de partida para fortalecer a Rota do Búfalo, um circuito de turismo e lazer que já encanta quem visita a região.
O projeto do MURPA é uma ode à memória. Seu acervo, longe de ser estático, é um mosaico de lembranças, costurado com o afeto de quem viveu e vive a vida na roça. “Ele não é uma coisa estática, isso é só uma semente, uma pedra fundamental”, afirma Pedro. Peças como machadinhas indígenas e cerâmicas, achadas na casa de parentes e doadas pela comunidade, ganham nova vida, contando a história de quem pisou naquelas terras.

O museu foi erguido sobre a base da escuta. A voz dos mais velhos, com suas experiências e lembranças, foi o alicerce da construção do espaço.
Cada módulo, da Casa do Búfalo à Casa do Vaqueiro, é um eco dessas narrativas. O Pomar Científico e a Cozinha Amazônica completam o cenário, transformando o museu em uma experiência imersiva que une cultura, ciência e sabores.
A decoração do museu traz diversas referências, inclusive com influências da cultura amazônica, sendo representada por peças e objetos que nos remetem a um misto de simplicidade, saudosismo e aprendizado. Segundo Cláudio Luz, um dos responsáveis pela decoração do espaço, a proposta é trazer uma didática e clareza que ofereçam informações relevantes e despertem novas formas de ver, inclusive a respeito dos búfalos.

Um motor de transformação
Além do resgate cultural, o MURPA vem um motor econômico. Pedro de Oliveira destaca que a inauguração do espaço vai muito além da celebração da memória, gerando uma “gama de empregos diretos” e indiretos. De colaboradores que apresentarão os módulos do museu a guias de turismo e artesãos que vão vender seus produtos na lojinha do museu, a expectativa é de um efeito dominó que irá fortalecer o turismo e a economia da região.
Para as escolas e famílias, o museu será uma sala de aula ao ar livre, oferecendo aulas de educação patrimonial e ambiental. A entrada, que terá uma taxa simbólica, garante a manutenção do espaço e a continuidade do sonho, permitindo que as novas gerações se reconectem com suas raízes. O museu, com seu funcionamento de terça a sábado, a partir das 8h da manhã, se torna um ponto de encontro, uma celebração contínua da identidade paraense.
Sobre a inauguração
No dia 27 de setembro, o Sítio Açaizal será palco da inauguração do MURPA. O evento, com entrada gratuita a partir das 8h30, promete ser uma festa para os sentidos. Haverá costelão de búfalo assado, degustação de queijos e doces de leite de búfala e churrasco de carne de búfalo, tudo embalado por música ao vivo. A celebração é um reflexo da missão do museu: unir a comunidade, valorizar a produção rural e celebrar a riqueza da cultura e da gastronomia amazônicas.







