Orçamento 2026 prevê Canaã à frente de Parauapebas em recursos da CFEM e ICMS

Três décadas após sua emancipação, Terra Prometida deixou de ser um município precário e isolado, para o novo rico que faz inveja ao vizinho

Canaã dos Carajás é o filho que, desprezado pela família, emancipou-se, saiu de casa e, contrariando as expectativas, venceu na vida: tornou-se mais rico e bem-sucedido. Em 1994, há 31 anos, quando a Vila Cedere II se separou de Parauapebas, por quem era desprezado, e tornou-se imediatamente um município precário, isolado e sem recursos, como um adolescente que foge de casa apenas com uma mochila de sonhos nas costas.

Hoje, faz inveja à sua genitora. Segundo preveem os orçamentos para 2026 dos dois municípios, analisados pela reportagem do CKS Online, a “Terra Prometida” não é mais apenas uma promessa: ela ultrapassou Parauapebas em duas das principais fontes de receita das prefeituras.

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Com um orçamento previsto de R$ 2,07 bilhões para o próximo ano, Canaã terá R$ 790 milhões oriundos apenas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), graças ao projeto S11D, que hoje alcança recordes de extração, enquanto Parauapebas vê sua riqueza mineral próxima da exaustão.

Outro fator que chama a atenção é a arrecadação prevista do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja cota-parte estimada pelo município é de R$ 626 milhões.

Não que Parauapebas esteja, exatamente, com o pires na mão. O município ainda ostenta o segundo maior orçamento do estado, atrás apenas da capital, Belém, mas hoje é visto por Canaã pelo retrovisor. Com um orçamento estimado em R$ 2,6 bilhões, Parauapebas terá R$ 780 milhões vindos da CFEM — R$ 10 milhões a menos que o vizinho.

Chama a atenção, ainda, que Canaã já ultrapassou Parauapebas inclusive na cota-parte do ICMS, com transferência prevista de R$ 580 milhões para a cidade vizinha.

Com uma população quatro vezes maior, Parauapebas tem, ainda, uma grande arrecadação em taxas municipais, IPTU e outros recursos próprios, mas lida com um passivo social bem maior que o do vizinho “novo rico”.

Wellington Borges – Redação do CKS Online.

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