Parauapebas: Reintegração de posse na Fazenda Paloma  mobiliza forças de segurança para retirada de cerca de 800 famílias

Na área há cerca de 1.200 pessoas (800 famílias), das quais aproximadamente 250 são crianças em idade escolar. Desocupação ocorre, até o momento, sem confrontos.

Área da Fazenda Paloma ocupada por cerca de 800 famílias

Esta segunda-feira (16) amanheceu sob forte aparato de segurança e tensão social no Complexo VS-10, em Parauapebas (PA). A operação de reintegração de posse da Fazenda Paloma, determinada pela Vara Agrária de Marabá, mobiliza mais de uma centena de policiais e equipes de assistência social para a retirada de aproximadamente 800 famílias que ocupam a área há cerca de dois anos.

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A ação é o resultado final de um processo que tramita sob o nº 0806835-44.2024.8.14.0040. A data para o início da desocupação, 16 de março de 2026, foi fixada pelo juiz Jessinei Gonçalves de Souza.

Recentemente, a defesa dos ocupantes tentou suspender a medida através de embargos de declaração, alegando insegurança jurídica. No entanto, o magistrado indeferiu os pedidos, argumentando que a decisão de suspensão anterior já havia sido clara ao exigir condições operacionais adequadas; e parâmetros institucionais e operacionais foram definidos em audiências com a participação dos advogados das partes. Além disso, o juiz alertou que a oposição reiterada de recursos com intuito de rediscutir o mérito poderia ser considerada protelatória, sujeita a multa.

A Justiça enfatizou que, embora a ocupação tenha ocorrido após o marco temporal da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 828, do Supremo Tribunal Federal (STF), o cumprimento da ordem foi planejado para ocorrer “de maneira organizada, proporcional e com a participação dos órgãos competentes, evitando-se riscos sociais e garantindo-se a observância da dignidade das pessoas envolvidas.”

O cenário na VS-10

O que começou como uma ocupação rural transformou-se, ao longo de dois anos, em um bairro residencial informal. Segundo vistorias técnicas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na área há cerca de 1.200 pessoas (800 famílias), das quais aproximadamente 250 são crianças em idade escolar. As moradias de madeira e de alvenaria estão distribuídas em uma área de cerca de 3 km².

Apesar da resistência inicial — que incluiu o bloqueio da rodovia PA-160 na última sexta-feira (13) por cerca de 16 horas — a saída nesta segunda-feira tem sido, em grande parte, voluntária. O advogado da comunidade, Helder Igor, afirmou ao Jornal Correio de Carajás, que para evitar confrontos, as famílias estão desmontando seus barracos e planejam acampar em uma praça pública do bairro.

Operação de Guerra

Para garantir o cumprimento do mandado, o Comando de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar e o 1º Batalhão de Missões Especiais (BME) de Marabá enviaram 148 policiais. Sob o comando do coronel Aquino, a PM faz o isolamento das vias de acesso enquanto tratores aguardam a desocupação total para iniciar a limpeza do terreno, que retornará aos proprietários Darcio Moreira de Oliveira e Edilaine Novais Santos.

Assistência municipal

A Prefeitura de Parauapebas, através da Secretaria de Habitação (Sehab), publicou a Portaria nº 35/2026 no Diário Oficial do Município, na última quarta-feira (11), convocando as famílias em vulnerabilidade social para inclusão no Programa Aluguel Social.

A operação deve continuar ao longo de todo o dia até que a área esteja totalmente desocupada e entregue aos oficiais de Justiça da Vara Agrária. O CKS Online segue acompanhado e traz novas informações a qualquer momento.

Redação CKS Online, com informações do Jornal Correio de Carajás

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