O setor mineral brasileiro, com base em um estudo apresentado nesta quinta-feira ao embaixador André Corrêa do Lago, Presidente Designado da COP30, pela Coalizão Minerais Essenciais, que reúne 14 entidades e empresas do segmento, pretende reduzir em até 90% suas emissões diretas de carbono até 2050.
A reunião foi organizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e teve como foco três áreas-chave para a transição climática: minerais essenciais, agricultura e energia elétrica. A proposta é construir, de forma colaborativa entre os diversos setores, soluções concretas e ambiciosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para o fortalecimento da posição do Brasil na agenda global de sustentabilidade, especialmente com a proximidade da COP30, que será realizada em Belém (PA), em 2025.
O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Raul Jungmann, elogiou a iniciativa de articulação entre os setores. “A criação de coalizões, onde diferentes setores dialogam entre si, é uma conquista importante. É espetacular que possamos construir uma posição conjunta a ser levada ao embaixador e à COP30”, destacou Jungmann. A participação do IBRAM reforça o compromisso do setor mineral com uma economia de baixo carbono, a inovação tecnológica e a transição energética justa, além de reconhecer o papel estratégico da mineração na oferta de insumos essenciais para soluções sustentáveis em escala global.
Mineração propõe redução de 90% nas emissões até 2050
O estudo entregue ao embaixador André Corrêa do Lago, além de apontar caminhos para a redução de até 90% das emissões diretas de carbono do setor mineral brasileiro até 2050, reforça o potencial do setor para contribuir com a diminuição das emissões totais do país, reduzir as emissões globais da cadeia do aço e apoiar o avanço da eletrificação mundial.
O estudo da Coalizão Minerais Essenciais mostra que a transição energética global está diretamente vinculada à mineração e que o Brasil está posicionado estrategicamente neste cenário, por possuir uma das maiores diversidades geológicas do mundo, um setor mineral desenvolvido e uma matriz elétrica renovável, entre outros fatores. Além de apontar qual é contribuição potencial do setor para a transição energética e para a descarbonização da economia, o estudo lista cinco pré-requisitos para que esse potencial seja atingido nos próximos anos.
“As coalizões simbolizam o espírito de mutirão que a COP30 inspira: empresas, governo e sociedade civil atuando juntos, de forma colaborativa e pré-competitiva, para construir consensos setoriais e soluções alinhadas à ciência. A iniciativa é o ponto de partida de um processo que vai além do papel: transformar consensos em implementação para uma economia de baixo carbono. Nesse movimento, a Coalizão de Minerais assume papel estratégico ao propor caminhos concretos para descarbonizar sua cadeia e apoiar a transição energética global”, afirma Marina Grossi, presidente do CEBDS.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, considera o engajamento do setor privado essencial para a agenda climática avançar no Brasil. “Para a Vale, que tem a descarbonização como um dos eixos centrais de seu negócio, é um orgulho coliderar essa iniciativa. Principalmente num momento como este, em que os minerais de transição energética ganham relevância na geopolítica mundial. O Brasil está no centro dessa discussão, pois tem enorme potencial de produção desses minerais, além de ser um dos maiores produtores de minério de ferro de alta qualidade, essencial para a descarbonização da siderurgia”, avalia.
“O relatório mostra que a mineração é um pilar essencial da solução para a crise climática”, afirma Raul Jungmann, presidente do IBRAM. “O Brasil possui uma vantagem competitiva única, com diversidade geológica e uma matriz elétrica limpa. O estudo mostra que estamos prontos para fornecer os minerais que o mundo precisa para construir uma economia de baixo carbono, mas não podemos fazer isso sozinhos.”











