Tarifas de Trump e as exportações paraenses, saiba como a decisão pode nos afetar

Diante da possibilidade de aplicação das novas tarifas, a pergunta que se impõe é: quais produtos do Pará podem ser afetados? O nosso colunista Wesley Oliveira explica

Texto de autoria do colunista de Economia do CKS Online, Wesley Oliveira

A decisão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto surpreendeu muitos observadores. Sem entrar no mérito da carta inicial de Trump, o foco aqui recai sobre os possíveis impactos dessa medida nas exportações do estado do Pará.As vendas externas do Pará — altamente concentradas na extração mineral, que responde por mais de 80% da pauta exportadora — somaram US$ 23 bilhões em 2024.

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Desse total, apenas US$ 835 milhões tiveram como destino os Estados Unidos, o que equivale a apenas 3,6% das exportações paraenses. Diante da possibilidade de aplicação das novas tarifas, a pergunta que se impõe é: quais produtos do Pará podem ser afetados?

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o principal item exportado pelo estado aos EUA em 2024 foi a alumina calcinada, com US$ 230,7 milhões em vendas.

Em seguida, vêm o ferro fundido bruto (quase US$ 159 milhões) e o hidróxido de alumínio (US$ 113,3 milhões). Juntos, esses três produtos representaram 60% de tudo o que o Pará exportou para o mercado norte-americano no ano passado.No caso específico da alumina calcinada, as vendas para os Estados Unidos corresponderam a 12% do total exportado pelo Pará. A maior parte da produção foi destinada à Noruega (US$ 853 milhões) e ao Canadá (US$ 606 milhões). Esses dois países, que já têm relevância no comércio paraense, podem se tornar mercados ainda mais estratégicos, caso a taxação norte-americana se confirme.

Já no caso do ferro fundido bruto, a situação é mais delicada. Os Estados Unidos foram o único destino das exportações paraenses desse produto em 2024. Diante da ausência de outros demandantes no mercado internacional, qualquer barreira comercial imposta pelos norte-americanos atingiria diretamente as vendas do item, com impactos imediatos sobre a produção local.

Resta agora acompanhar os desdobramentos dessa medida. O que se pode afirmar desde já é que decisões unilaterais desse tipo — especialmente vindas da maior economia do planeta — tendem a desorganizar relações comerciais e diplomáticas construídas ao longo de décadas. Reverter os danos pode custar caro. E, em geopolítica econômica, esse custo raramente recai apenas sobre uma das partes.

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