Marcelo Bacci, Vice-Presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores (CFO) da Vale, não vê risco específico para a receita da companhia em relação às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos. A observação foi feita em entrevista ao CNN Money na terça-feira (12).
Ao contrário: Bacci entende que o momento é bastante favorável para a companhia, cujas exportações são majoriamente destinadas à China e outros países asiáticos. Os EUA não são grandes importadores de minério da Vale — algo que o CFO atribui a divergências no uso de tecnologias lá e cá.
“O que pode acontecer é uma desaceleração global, que afete todas as empresas do Brasil e mundo. Com exceção disso, não vemos nenhum risco específico”, esclarece.
Resultados do 2º tri
O executivo também comentou os resultados do 2º trimestre da mineradora, divulgados no final de julho. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 2,12 bilhões no período, queda de 24% versus o mesmo período do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado, por sua vez, somou US$ 3,39 bilhões, queda de 15% na comparação anual.
Para analistas do mercado, o destaque foi a resiliência da Vale. Ainda que o cenário esteja desfavorável para o minério de ferro, com preços menores do que os praticados em 2024, a empresa conseguiu manter os custos enxugados.
O executivo afirma à CNN que a redução é estrutural, implementada por três frentes. A primeira, a utilização melhor de ativos existentes, investindo e aumentando volume de produção naquilo que já está presente no maquinário da Vale; a segunda diz respeito a novas operações, com tecnologias avançadas que demandam custos menores de uso; a terceira, por fim, é o trabalho direto com fornecedores, diluindo valores de produtos comprados de terceiros.
“Esse conjunto tem feito o custo cair estruturalmente já a alguns trimestres”, diz Bacci, afirmando que as projeções da companhia para este ano estão em linha com o que foi notificado ao mercado. “Estamos muito confortáveis de que vamos cumprir a projeção e este trabalho irá continuar, tanto no trabalho de ferro quanto nos minérios de transição”.
Cobre e níquel
Falando neles, Bacci posiciona a companhia como player importante do mercado de minerais críticos — aqueles considerados essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. Refere-se, especificamente, ao cobre e níquel.
O CFO cita o encrave de cobre da Vale na região de Carajás, localizada no sudeste do estado do Pará. Segundo ele, nos próximos 10 anos, a companhia pretende dobrar a produção de cobre (de 350 mil toneladas hoje para mais de 700 mil toneladas em 2035), possibilitado por investimentos no polo paraense.
“[O minério] é utilizado em data centers, transição energética, IA… tudo isso contribui para o aumento da demanda. Temos a capacidade de ser um agente importante para propiciar ao mundo esse produto”, diz Bacci.
Transição energética
Ele também faz uma leitura positiva para a companhia no contexto energético brasileiro e mundial. Mas o caminho ainda é longo: na visão do executivo, falta um ambiente de negócios e institucional mais positivo, acesso mais acelerado a financiamentos e uma legislação ambiental mais modernizada.
“A Vale é um exemplo de empresa que atravessou essas dificuldades e, hoje, tem acesso a capitais globais de uma maneira que poucas empresas no Brasil e mundo têm”, argumenta o executivo. “O país pode incentivar estas empresas a buscarem um posicionamento que acelere a produção de minerais criticos. É uma grande oportunidade”.
Sobre a descarbonização do mundo, pauta prioritária nas agendas mundiais de sustentabilidade, a Vale, como produtora de carvão mineral, vê o movimento com preocupação: mas, acima de tudo, como oportunidade. “Pela capacidade que temos de produzir minerais de alto teor, poderemos estar do lado que resolve o problema, não causa. Poderemos contribuir para um mundo descarbonizado, sem duvida nenhuma”, afirma.
“Estamos na direção certa. O potencial do Brasil é enorme e precisa ser destravado, mas temos capacidade de ser muito mais relevantes do que somos hoje”, finaliza.
Fonte: CNN











