Região de Carajás, no Sudeste do Pará
A transição tecnológica que marca o século 21 é impulsionada por áreas como inteligência artificial, mobilidade elétrica e energias renováveis. E tem provocado uma intensa disputa internacional por minerais estratégicos conhecidos como terras raras. Esses elementos são fundamentais para a produção de equipamentos de alta tecnologia e colocam o Brasil, especialmente o Pará, em uma posição de grande interesse geopolítico.
No Congresso Nacional, o tema começa a ganhar força política. Um dos parlamentares que tem levado essa discussão para o centro da agenda é o deputado federal Keniston Braga (MDB-PA), atual presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara. O parlamentar defende que o país precisa avançar em planejamento e políticas públicas para aproveitar de forma estratégica suas reservas minerais e não repetir o modelo histórico de exportação de matérias-primas sem processamento industrial.

Deputado federal Keniston Braga (MDB-PA)
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, utilizadas na fabricação de turbinas eólicas, baterias, componentes eletrônicos e motores de veículos elétricos. Apesar desse potencial, o país ainda ocupa posição discreta na cadeia global de produção, especialmente na etapa de processamento desses minerais, hoje concentrada principalmente na China.
As chamadas terras raras reúnem 17 elementos químicos, entre eles neodímio, praseodímio, lantânio e cério. Embora estejam relativamente distribuídos na natureza, sua separação exige tecnologia sofisticada, grandes investimentos e cuidados ambientais rigorosos, fatores que tornam esses minerais altamente estratégicos para a economia de baixo carbono.
Diante desse cenário, o Ministério de Minas e Energia iniciou os primeiros passos para a criação de uma Estratégia Nacional de Terras Raras, iniciativa que busca estruturar uma cadeia produtiva no país, reduzir a dependência externa e ampliar a participação brasileira nesse mercado em expansão.
Nesse contexto, o Pará surge como uma área de grande potencial. Pesquisas conduzidas pelo Serviço Geológico do Brasil apontam ocorrências desses minerais principalmente no sudeste do estado, em regiões ligadas à província mineral de Serra dos Carajás. Nessas áreas, eles aparecem associados a minerais como monazita e bastnaesita, muitas vezes como subprodutos de atividades minerárias já existentes.
Ainda que muitos projetos estejam em fase inicial de pesquisa mineral, especialistas consideram o estado uma nova fronteira promissora para o setor. Entre os elementos identificados estão terras raras leves, como lantânio e cério, além de neodímio e praseodímio – essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance utilizados em tecnologias limpas.
Para o deputado Keniston Braga, o desafio agora é garantir que essa nova riqueza mineral gere desenvolvimento real para o país e para a Amazônia. O parlamentar tem defendido que o Brasil invista em tecnologia, pesquisa e industrialização para transformar reservas geológicas em capacidade produtiva e inovação.
O debate também envolve questões ambientais e sociais, sempre sensíveis quando se trata de mineração na Amazônia. A possibilidade de exploração desses minerais reabre discussões sobre como conciliar crescimento econômico, proteção ambiental e benefícios concretos para as populações locais.
O Governo do Pará acompanha as discussões e defende que eventuais projetos avancem com agregação de valor dentro do próprio estado, evitando que a produção se limite à exportação de minério bruto.
Hoje o Pará já se destaca internacionalmente pela produção de ferro e bauxita, em grande parte vendidos sem processamento industrial. A corrida global pelas terras raras coloca uma nova questão estratégica: o estado continuará apenas fornecendo matéria-prima ou passará a integrar a cadeia industrial que sustenta as tecnologias do futuro?
A resposta ainda está sendo construída, tanto nas decisões políticas quanto nos investimentos em pesquisa e indústria. Mas especialistas apontam que, sob o solo amazônico, pode estar uma das reservas minerais mais valiosas para a economia global nas próximas décadas e o modo como o Pará e o Brasil irão aproveitá-la será decisivo para seu papel na nova economia tecnológica.
Texto: Sales Coimbra / Assessoria











