Uma tragédia no leste da República Democrática do Congo (RDC) ganha contornos cada vez mais graves. De acordo com informações divulgadas pelo site DW notícias, o número de mortos em decorrência de um deslizamento de terra em uma mina de coltan, na região de Rubaya, subiu para aproximadamente 300 pessoas. O desastre, ocorrido na última semana na província de Kivu do Norte, soterrou não apenas mineiros artesanais, mas também comerciantes e moradores de aldeias vizinhas que foram devastadas pela lama.
O cenário no local é de caos e desolação, com operações de resgate precárias e desorganizadas. Segundo o DW notícias, os próprios moradores estão tentando recuperar corpos em meio aos escombros e ao lodo, já que a infraestrutura da região foi severamente comprometida, com estradas e casas totalmente submersas. A comunicação na área é extremamente difícil, uma vez que as redes de telefonia estão fora de serviço e as informações chegam de forma fragmentada por meio de mensageiros.
A mina de Rubaya é um ponto estratégico global, sendo responsável por até 30% da produção mundial de coltan, mineral essencial para a fabricação de dispositivos eletrônicos como smartphones. Conforme reportado pelo DW notícias, a área está atualmente sob o controle do grupo rebelde M23, que estabeleceu uma administração paralela para gerir a extração mineral. Estima-se que a milícia arrecade cerca de 800 mil dólares mensais através de impostos sobre a comercialização do minério.
O governo da RDC manifestou profunda consternação com o ocorrido e aproveitou o momento para denunciar a exploração ilegal de seus recursos. Conforme destacado pelo DW notícias, as autoridades de Kinshasa atribuem a tragédia à ocupação armada e a um sistema organizado de saques que beneficia o vizinho Ruanda. Embora o governo tenha proibido atividades mineradoras na região em fevereiro de 2025, o controle rebelde permite que toneladas de minerais continuem sendo enviadas ilegalmente para o exterior.
Especialistas das Nações Unidas, citados pelo DW notícias, reforçam que a milícia M23 utiliza a riqueza mineral para financiar três décadas de violência contínua no leste do país. Enquanto a comunidade internacional é instada a reconhecer a gravidade da situação humanitária e política, os sobreviventes feridos enfrentam centros de saúde com recursos limitados, evidenciando o abandono de uma população que vive sob a sombra da guerra e da exploração mineral.











