Vale está em disputa judicial com ex-mulher de Carlinhos Cachoeira em mina de cobre de Canaã

Empresária alega que sua empresa foi responsável por financiar todos os custos técnicos, jurídicos e administrativos para que a GB Locadora obtivesse o direito minerário sobre a área

A expansão dos negócios de cobre da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, está paralisada na Justiça devido a uma complexa disputa judicial. A empresa pagou R$ 50 milhões à GB Locadora de Equipamentos e Construções para adquirir direitos minerários em uma área estratégica em Canaã dos Carajás, mas a transação foi travada. O impasse surge com a entrada da empresária Andressa Mendonça, ex-esposa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que alega ter direito a um terço do valor da negociação. A informação é da reportagem da Folha de S.Paulo.

A área em questão, de 3.818 hectares, faz parte da Mina do Sossego, um dos principais polos de produção de cobre da Vale. A polêmica começou porque a mineradora perdeu o prazo para renovar o título minerário da região, permitindo que a GB Locadora, uma pequena empresa de Goiás, requeresse a posse. Após anos de batalhas judiciais, a Vale optou por um acordo e pagou os R$ 50 milhões para garantir a expansão de suas operações.

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O problema, no entanto, surgiu após o pagamento. Andressa Mendonça, por meio de sua empresa Peroza Administração e Participações, afirma que a GB Locadora não repassou sua parte do acordo, que seria de 33,33% do valor total. A empresária alega que sua empresa foi responsável por financiar todos os custos técnicos, jurídicos e administrativos para que a GB Locadora obtivesse o direito minerário sobre a área.

Andressa Mendonça, em entrevista à Folha de S.Paulo, explicou que a Peroza ajuizou uma ação na Justiça de Goiás para garantir seus direitos. A empresária alega que a Vale tinha conhecimento de sua participação no negócio desde o início da transação, pois a Peroza teria informado formalmente a mineradora junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). Mesmo assim, segundo ela, a Vale optou por negociar diretamente com a GB Locadora.

A empresária expressa preocupação com a conduta da Vale, afirmando que a mineradora, ao prosseguir com a negociação sem resolver o conflito, se envolve em um risco jurídico. Ela sugere que a postura da empresa “contraria o padrão de diligência esperado de uma empresa do porte da Vale, que deveria atuar com total transparência e zelo”.

Procurada para comentar o caso, a Vale afirmou em nota que “adquiriu um direito minerário em fase de pesquisa exploratória” e que não comenta os termos de seus negócios. A empresa acrescentou que “cumpre suas obrigações conforme previsto na legislação e regulamentação aplicáveis”. O dono da GB Locadora, Cláudio Luiz da Costa, foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.

O imbróglio trava a transação na Justiça e a mineradora, que já desembolsou os R$ 50 milhões, não tem a garantia de posse da área. A disputa agora envolve o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e a Justiça de Goiás, com a ação movida pela Peroza tornando o futuro da operação incerto.

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