Vale preserva a Floresta Nacional de Carajás (PA) e dialoga com prefeitos, afirma CEO Gustavo Pimenta

Segundo o executivo, a mineradora utiliza apenas 3% da Floresta Nacional de Carajás, e os outros 97% são área de preservação nativa.

CEO da Vale, Gustavo Pimenta, fala no Climate Action House, durante a COP30, em Belém (PA).

Em entrevista concedida à Folha durante sua passagem pela COP30, em Belém (PA), o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, detalhou o “grande reposicionamento” que a companhia está implementando e deu destaque às operações da mineradora no estado.

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Pimenta afirmou que o trabalho de mudança da empresa possui três pilares principais: evolução no portfólio, evolução cultural e, fundamentalmente, a melhora da reputação e da relação com a sociedade. O executivo também falou da relação com os prefeitos dos municípios onde a Vale opera.

Carajás: “Devastada” sem a Vale
Ao abordar as operações da empresa no Pará, de onde sai 60% do minério de ferro da Vale, o executivo defendeu o papel da companhia na preservação ambiental na região amazônica.

Pimenta argumentou que a Vale preserva mais área ambiental do que explora. “A gente utiliza 3% da Floresta Nacional de Carajás, e os outros 97% são área de preservação nativa”, declarou.

Vista de drone da Rodovia PA-275 cortando a Floresta Nacional de Carajás / Foto: Alex Tauber

O CEO expressou a convicção de que a presença da mineradora é crucial para a proteção da área. “Tudo ao redor dessa floresta foi devastado. Essa floresta teve 650 tentativas de invasão nos últimos três anos e eu tenho certeza absoluta que, se a gente não tivesse ali, ela teria sido devastada.”

Segundo Pimenta, a operação no Pará “conseguiu mostrar, ao longo do tempo, o poder de combinar desenvolvimento econômico com preservação ambiental.”

Complexo S11D / Foto: Felipe Borges

Diálogo com prefeitos
Ao ser questionado sobre a relação com os prefeitos, citando o gestor de Parauapebas, Aurélio Goiano, que afirmou não conseguir se reunir com a Vale, relembre aqui, e também a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig), que crítica o pagamento de tributos da Mineradora, Pimenta avaliou como normal os desentendimentos.

“A gente reestruturou toda a área de relações com comunidades, municípios e estados, que é onde a Vale opera. Vai haver um desentendimento aqui e ali, em um tema específico, que toma um pouco mais de tempo para resolver, mas há diálogo”, argumentou.

Desafios de reputação
O CEO reconheceu o impacto das tragédias de Mariana e Brumadinho na imagem da companhia, descrevendo o acidente em Minas Gerais como uma “enorme dor para a companhia e muito mais para a sociedade mineira.”

No entanto, ele enfatizou que o reposicionamento da Vale vai além de uma simples “questão de imagem”, visando acelerar a “mineração do futuro —100% circular, sem geração de rejeito, autônoma, mais digital, mais moderna e sem barragens.” Pimenta mencionou que 85% da produção atual da Vale já não depende mais de barragens, resultado de aprendizados pós-Brumadinho.

O executivo também ressaltou a importância da mineração para a transição energética e a descarbonização da cadeia produtiva do aço, o que, segundo ele, é benéfico para os negócios da Vale.

Redação CKS Online

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