Em uma entrevista concedida ao Valor Econômico, o CEO da Vale (VALE3), Gustavo Pimenta, que completou um ano no comando da mineradora, detalhou os progressos da companhia e as estratégias futuras. Pimenta enfatizou que a expansão da produção na mina do S11D, em Canaã dos Carajás (Pará), é o pilar central do plano para que a empresa retorne ao posto de maior produtora de minério de ferro do mundo.
O executivo destacou uma melhoria notável na relação da Vale com o poder público, um desafio intensificado após o rompimento da barragem em Brumadinho. Um marco importante em seu primeiro ano foi a conclusão do acordo relativo à barragem de Mariana, eliminando um “grande risco de cauda” para os investidores.
Recentemente, a Vale obteve licenças cruciais, incluindo a permissão para a operação do Projeto Serra Sul +20 Mtpa, que adicionará 20 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, e uma licença prévia para o projeto Bacaba, focado em cobre.
Conforme a reportagem do Valor Econômico, esses avanços sinalizam que a Vale está no caminho para cumprir a promessa de aumentar a produção anual em 30 milhões de toneladas nos próximos anos.
Pimenta afirmou que esse aumento de volume, fortemente ancorado na ampliação do S11D em Canaã dos Carajás, é o que deve recolocar a Vale como a maior produtora de minério de ferro do mundo. O crescimento da escala operacional também promoverá a diluição de custos, com a projeção de que o custo caixa C1 converja para abaixo de US$ 20/ton (abaixo dos US$ 21,8/ton registrados em 2024).
Além do volume, o CEO enfatizou a importância da qualidade do minério. A Vale utiliza plantas de blendagem para adaptar o produto às demandas do mercado. Em períodos de margens apertadas para as siderúrgicas, por exemplo, a empresa evita vender minério de alta qualidade sem o prêmio adequado. Pimenta acredita que, com a recuperação da agenda de descarbonização, os produtos mais limpos e de maior qualidade voltarão a se destacar no mercado.
Apesar de reconhecer o cenário desafiador – marcado pela desaceleração na China e pressão sobre as siderúrgicas –, o executivo concluiu que a Vale continua a entregar melhorias (em volume, custos e licenças) e negocia com um valuation bastante atrativo, de 3,5 vezes o EBITDA.











