Vitória judicial: Vale perde direito de explorar mina de ouro em Parauapebas para empresa de investigado pela PF

As apurações da PF indicaram, ainda, que Tiãozinho Miranda teria mantido forte influência dentro da ANM, interferindo na tramitação de processos e protocolando requerimentos em áreas já ocupadas

A Vale, gigante da mineração, sofreu uma derrota judicial significativa em uma disputa pelo direito de exploração de ouro em uma mina em Parauapebas, segundo revelou a coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles. A Justiça Federal de Marabá (PA) decidiu a favor da Vegas Mineração Ltda., de propriedade do empresário Sebastião Ribeiro de Miranda, conhecido como Tiãozinho Miranda, em uma ação movida contra a Vale e a Agência Nacional de Mineração (ANM). A decisão, que transitou em julgado em 11 de setembro, reconhece que a ANM teria reativado indevidamente um título minerário da Vale em uma área que já havia sido liberada para pesquisa pela Vegas.

A disputa judicial centrou-se na sobreposição de títulos minerários em uma área de 9.624 hectares destinada à pesquisa de ouro. A ação movida pela Vegas Mineração buscava anular os atos administrativos da ANM que reativaram o título da Vale e reaver o seu próprio alvará de pesquisa, concedido originalmente em 2013 pelo então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), predecessor da ANM. A Justiça Federal do Pará não apenas anulou os atos da agência, como também condenou a Vale e a ANM ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, fixados em R$ 950 mil, e concedeu tutela antecipada para que a Vegas retome imediatamente suas atividades de pesquisa.

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O empresário Tiãozinho Miranda, que adquiriu o direito de explorar a área, já foi alvo de investigação da Polícia Federal nas operações Grand Canyon I e II, deflagradas em 2015 e 2023. As investigações apuravam possíveis irregularidades cometidas por servidores públicos e empresas privadas no setor mineral, focando no favorecimento ilícito na tramitação e concessão de títulos minerários, além de um esquema de sobreposição e desconsideração de títulos válidos. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) chegou a apontar favorecimentos ilícitos a cinco empresas ligadas a Miranda, incluindo a Vegas Mineração.

As apurações da PF indicaram, ainda, que Tiãozinho Miranda teria mantido forte influência dentro da ANM, interferindo na tramitação de processos e protocolando requerimentos em áreas já ocupadas, desconsiderando direitos concedidos a outras empresas, o que teria sido viabilizado por meio de pareceres jurídicos manipulados. O caso da Vegas contra a Vale trata justamente de uma sobreposição de títulos, com a Vegas alegando que a reativação do título da Vale por parte da ANM foi indevida, em detrimento do seu alvará de pesquisa validamente concedido.

Porém, a defesa de Tiãozinho Miranda garante que todos os procedimentos que envolveram o nome do empresário já foram arquivados ou trancados. Em 5 de setembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou o trancamento de um dos inquéritos da PF contra o empresário. O acórdão do TRF-1 alegou que a instauração do inquérito se fundou “unicamente em notícia-crime apresentada por empresa concorrente” e que não havia “indícios minimamente concretos de materialidade e autoria delitiva”, configurando “constrangimento ilegal”.

O empresário, por sua vez, afirma ter sido vítima de denúncias caluniosas de concorrentes e que as investigações não encontraram nada substancial contra suas empresas. Sua defesa acrescentou que o Ministério Público Federal concluiu, após ampla investigação, que não havia qualquer elemento que configurasse crime, o que levou ao arquivamento integral do inquérito da Operação Grand Canyon I. A defesa ressalta, ainda, que a decisão da Justiça Federal de Marabá no caso contra a Vale foi feita de “forma técnica e correta”.

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