Alerta de segurança na Vale: em menos de uma semana, Carajás tem morte de trabalhador e colisão de caminhão

A sequência de acidentes ressalta a necessidade de a mineradora revisar e reforçar os protocolos de segurança, tanto para trabalhadores diretos quanto para terceirizados.

A questão da segurança do trabalho na Vale, no Complexo de Carajás, em Parauapebas (PA), tem chamado a atenção nos últimos dias após a ocorrência de dois graves acidentes em um intervalo de menos de uma semana. Os episódios, que resultaram na trágica morte de um trabalhador terceirizado e em uma colisão envolvendo um caminhão fora de estrada autônomo, que segundo a Vale estava tripulado, levantam sérias preocupações sobre a eficácia dos procedimentos de segurança na maior mina de minério de ferro do mundo.

Morte após queda

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O acidente mais grave ocorreu na tarde da última sexta-feira (31/10), na Usina 01 do complexo Serra Norte. O eletricista Mozeniel Cerqueira Serra, de 37 anos, funcionário da empresa terceirizada Parex, faleceu no domingo (2/11) no Hospital de Carajás, após sofrer uma queda de uma altura estimada de 20 metros.

Mozeniel estava em uma gaiola suspensa por uma ponte rolante, realizando a montagem de infraestrutura elétrica no projeto Pacote II, na área de Moagem de Barras. Segundo relatos, houve o desprendimento do cesto de trabalho, o que resultou na queda. O trabalhador sofreu perfuração no pulmão e fraturas nos dois pulsos, e a piora de seu quadro clínico impediu a transferência, levando ao óbito. Outro trabalhador envolvido conseguiu se segurar graças ao trava-quedas retrátil, o que reforça a importância dos Dispositivos de Segurança Individual (DSI).

O CKS Online solicitou informações sobre as circunstâncias do acidente e as providências adotadas diante da situação, porém, até o fechamento desta matéria, a assessoria de comunicação da Vale não havia respondido.

Caminhão autônomo “atropela” caminhonete

O segundo acidente, classificado apenas como “perda material”, não fez vítimas e foi registrado na tarde desta segunda-feira (3/11), na Praça 2006 da Mina Autônoma. Um caminhão fora de estrada (Fora de Estrada 5210), que opera com tecnologia autônoma, mas que estava tripulado no momento, segundo a Vale, colidiu com uma caminhonete de apoio (CF-01) da própria Vale.

Apesar de não haver feridos, já que a caminhonete estava vazia, o caso é emblemático por envolver um equipamento de alta tecnologia e considerado extremamente seguro.

O especialista em operações de transporte autônomo, Raimundo Araújo Filho, que foi um dos responsáveis pela implantação e operação do sistema na Vale, explicou ao CKS Online que o acidente ocorreu devido a falha do operador e não do veículo. Segundo ele, o caminhão autônomo, que é operado por software, reconhece quando uma pessoa ou qualquer outro objeto se aproxima e para, “é como uma camada de segurança, para evitar colocar a pessoa em risco”.

Analisando o “informe de incidentes” que relata o que ocorreu e tem circulado pelas redes sociais, o especialista afirmou que “foi uma falha de operação”. “O operador, após converter o caminhão de modo autônomo para modo manual, esqueceu que ele tinha deixado a caminhonete dele lá e passou por cima da caminhonete”, detalhou.

O especialista frisou que, no modo autônomo, a colisão “jamais aconteceria”, pois o algoritmo do sistema impede a colisão com veículos identificados, “é 100% seguro”. O operador, ao assumir o controle manual, ignorou, segundo Araújo Filho, tanto a localização da caminhonete quanto o display do caminhão, que mostra todos os equipamentos ao redor. Para ele, “houve uma certa displicência” do operador, “porque em modo autônomo, isso jamais aconteceria, o caminhão, se recusa a colidir com o veículo que ele identifica ou um outro equipamento”.

O incidente poderia ter resultado em uma tragédia, se houvesse outra pessoa na caminhonete, tendo em vista que, geralmente, há mais de um trabalhador no veículo.

Sinal de alerta

A sequência de acidentes – uma fatalidade envolvendo a segurança em altura e uma falha de procedimento no controle de veículos de grande porte – ressalta a necessidade de a mineradora revisar e reforçar os protocolos de segurança, tanto para trabalhadores diretos quanto para terceirizados. A investigação sobre as causas da queda fatal e a revalidação dos procedimentos operacionais no modo manual dos caminhões autônomos são cruciais para restaurar a confiança na segurança das operações em Carajás.

Redação CKS Online

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