Geólogo que descobriu terras raras aposta que o Brasil ainda esconde gigantescas reservas

Com 43 anos de experiência e 18 depósitos minerais no currículo, Rocha é o personagem central de uma trajetória que mistura intuição e ciência


O geólogo Alexandre Rocha da Rocha, nome por trás das principais descobertas minerais do país, afirma com convicção que o potencial brasileiro no setor de minerais críticos está longe de ser esgotado. Conforme reportado pelo Brazil Journal, o especialista, que já identificou oito projetos de terras raras, aposta que novas e vastas reservas ainda serão reveladas em solo nacional, consolidando o Brasil como um player estratégico na transição energética global.

Com 43 anos de experiência e 18 depósitos minerais no currículo, Rocha é o personagem central de uma trajetória que mistura intuição e ciência. Segundo o Brazil Journal, o geólogo foi o responsável por encontrar as jazidas que hoje sustentam a Serra Verde, em Goiás, e a Brazilian Rare Earths, na Bahia. Esta última, inclusive, rendeu-lhe uma homenagem direta: um dos projetos leva o nome de “Rocha da Rocha”, celebrando seu papel na descoberta de um dos maiores teores de minério do mundo.

A saga de Rocha nas terras raras começou quase por acaso em 2010, quando foi provocado por investidores a explorar essa classe de minerais. Na época, como destacou o Brazil Journal, o geólogo sequer dominava o conceito desses elementos, que eram um monopólio quase absoluto da China. Ele precisou atuar de forma autodidata, mergulhando em dados públicos do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) para decifrar onde o “ouro do século XXI” poderia estar escondido.

Geólogo cobra veriticalização


O sucesso inicial veio em Goiás, após Rocha e sua equipe filtrarem dados aerogeofísicos e interpretarem estudos acadêmicos da UnB. De acordo com informações do Brazil Journal, o geólogo enfrentou o ceticismo do mercado ao oferecer seus projetos para gigantes como a Vale e a MMX, de Eike Batista, que recusaram as áreas por desconhecimento do potencial do minério. O tempo, porém, provou que Rocha estava certo, transformando a Serra Verde no primeiro depósito de argilas iônicas do mundo ocidental.

A persistência do geólogo também foi testada na Bahia, onde o cenário inicial era desanimador. Conforme o texto do Brazil Journal, após 28 perfurações sem qualquer resultado positivo, a equipe finalmente encontrou uma zona de altíssimo teor mineral. Esse projeto culminou em um IPO bilionário na Bolsa da Austrália no final de 2023, avaliando a companhia em mais de 1,2 bilhão de dólares australianos e atraindo a atenção de investidores globais.

Atualmente, o otimismo de Rocha sobre o futuro mineral do país é fundamentado na abundância geológica ainda não explorada. Ele revelou ao Brazil Journal que existem novos projetos em andamento, incluindo uma empresa prestes a ser listada no mercado de capitais. Para o geólogo, o Brasil possui a “matéria-prima da inteligência” necessária para localizar esses recursos, mas ainda carece de infraestrutura laboratorial de ponta para acelerar as análises.

Apesar das descobertas monumentais, Rocha faz um alerta importante sobre o modelo de exploração. Segundo o Brazil Journal, ele defende que o Brasil não pode se limitar a ser um exportador de “sopa de carbonatos” para a China. O geólogo enfatiza que a verdadeira riqueza reside na verticalização da produção, permitindo que o país processe os óxidos e metais necessários para a fabricação de superímãs e baterias em território nacional.

A geopolítica atual favorece o Brasil, uma vez que os Estados Unidos buscam alternativas à dependência chinesa. O Brazil Journal pontua que o governo americano já começou a financiar projetos brasileiros, reconhecendo a importância estratégica das descobertas de Rocha. O geólogo enxerga este momento como uma janela de oportunidade única para que o país deixe de ser apenas um fornecedor de commodities brutas e passe a integrar a elite tecnológica da mineração.

O geólogo ressalta que a transparência dos dados governamentais foi o grande catalisador de sua jornada. Para ele, o livre acesso aos levantamentos do SGB permitiu que um “autodidata digital” conectasse pontos que grandes corporações ignoraram. Como detalhado pelo Brazil Journal, essa combinação de dados públicos com a intuição de campo foi a fórmula para colocar o Brasil no mapa das terras raras, mudando o destino de regiões inteiras no interior do país.

Rocha encerra sua análise com um olhar voltado para as próximas décadas, reiterando que o solo brasileiro guarda segredos que podem redefinir a economia nacional. O Brazil Journal reforça que, para o “predestinado” Rocha da Rocha, o trabalho está apenas começando, e o potencial para novas descobertas é o que continuará movendo a mineração brasileira rumo a um futuro mais tecnológico e soberano.

Posts relacionados