Em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que reuniu acionistas detentores de 82,4% do capital votante da mineradora, a Vale definiu o novo comando de seu Conselho de Administração. Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido no mercado como Ollie, foi eleito presidente do órgão. Para a vaga de conselheiro aberta pela renúncia de Daniel Stieler, os investidores escolheram a executiva Ieda Gomes Yell.
A eleição, realizada nesta quarta-feira (22), dividiu forças entre os grupos de investidores e encerrou semanas de fortes tensões e debates sobre governança corporativa na companhia.
Como foi a eleição: acionistas dividiram apoios
A votação evidenciou a dinâmica de corporation da mineradora — uma empresa de capital pulverizado e sem um bloco de controle definido. Os acionistas optaram por separar os dois cargos em disputa, chancelando a indicação apoiada pela Previ para a presidência, mas rejeitando o candidato do fundo para a cadeira vaga.
- Presidência do Conselho: Ollie (que já atuava como Lead Independent Director do colegiado desde 2021) recebeu 1,98 bilhão de votos favoráveis e venceu o atual vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, que somou 1,07 bilhão de votos.
- Vaga de Conselheiro: Ieda Gomes Yell (apoiada pela maioria do atual Conselho) alcançou 2,4 bilhões de votos e derrotou José Maurício Coelho (ex-presidente da Previ e indicado pela entidade), que obteve 628,5 milhões de votos.
Com o resultado, a Previ (fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil e principal acionista individual da Vale, com cerca de 10% de participação direta e indireta) garantiu seu apoio a Ollie para o comando do órgão, mas passará a contar com apenas um indicado direto no colegiado (o atual presidente da fundação, Márcio Chiumento).
A conturbada saída de Daniel Stieler
O pleito desta quarta-feira foi o desfecho de uma crise de governança iniciada em 11 de junho. Na ocasião, a Previ divulgou uma carta solicitando a convocação de uma AGE para destituir Daniel Stieler do comando do Conselho de Administração. A entidade alegou publicamente que o movimento buscava “reforçar a independência” da alta administração.
Stieler, contudo, chegou a ter a permanência recomendada pela maioria do próprio Conselho e reagiu duramente em reunião interna, acusando a Previ de “falsidade ideológica administrativa” e “abuso do direito de voto”. Ele ocupava a cadeira desde 2021, quando ainda presidia a Previ.
Antes que o pedido de destituição fosse submetido ao crivo dos acionistas em plenário, Stieler optou por renunciar formalmente aos cargos de conselheiro e presidente em 6 de julho. A renúncia esvaziou o pedido de destituição e transformou a pauta da assembleia exclusivamente na escolha de um novo titular para o colegiado e de um novo presidente para o órgão.
Quem são os novos líderes do colegiado
- Manuel “Ollie” Oliveira (Presidente): Executivo português com formação na África do Sul, com mais de 30 anos de trajetória na mineração global. Integra o Conselho da Vale desde 2021, onde atuava como conselheiro independente e porta-voz do grupo no cargo de Lead Independent Director.

Manuel “Ollie” Oliveira
- Ieda Gomes Yell (Conselheira): Com mais de 40 anos de carreira no setor de energia e infraestrutura, possui em seu currículo a ex-presidência da Comgás e o comando das operações da BP no Brasil, somando vasta bagagem técnica e diversidade ao colegiado.

Ieda Gomes Yell
Reação do mercado e perspectivas
O encerramento do processo eleitoral trouxe alívio aos investidores em relação à governança da companhia. No pregão da B3, as ações da Vale fecharam em alta, negociadas na casa dos R$ 74,50.
O desafio imediato de Ollie será pacificar as divergências no Conselho e liderar as decisões estratégicas da companhia sob a gestão do CEO Gustavo Pimenta, mantendo o foco operacional na produção de minério de ferro, níquel e cobre até a renovação ordinária do colegiado, prevista para abril de 2027.
Redação CKS Online











