Irmãos Batista tentaram vender mina à Vale por valor bilionário, aponta colunista

Após a revelação do encontro aos demais membros do conselho, a Vale emitiu um comunicado oficial negando qualquer intenção de reincorporar a mina

O vazamento de e-mails detalhando uma visita secreta de conselheiros da Vale a uma mina da J&F e um jantar do comando da mineradora com os donos da empresa de Joesley Batista vem causando uma forte polêmica interna, de acordo com informações reveladas pela coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo. A controvérsia gira em torno do interesse do empresário, em revender o empreendimento de volta à Vale quatro anos após tê-lo adquirido, mesmo diante da avaliação técnica de que a transação não compensa.

Após a revelação do encontro aos demais membros do conselho, a Vale emitiu um comunicado oficial negando qualquer intenção de reincorporar a mina. Conforme pontua a publicação, a J&F também refutou a tentativa de venda do ativo, ainda que ambas as companhias tenham confirmado a realização da visita dos executivos e a contratação do banco Citi para intermediar a comercialização de uma fatia acionária das operações localizadas em Corumbá (MS).

Apesar das negativas públicas, bastidores trazidos pela jornalista indicam que fontes internas da Vale confirmam a investida de Joesley e detalham as cifras astronômicas envolvidas nas tratativas em torno do Sistema Centro-Oeste. A pedida inicial para repassar à mineradora a mina — comprada em 2022 por US$ 1,2 bilhão — girava em torno de US$ 4 bilhões, havendo também discussões paralelas para a venda de uma participação minoritária via joint venture no valor de US$ 2 bilhões.

A reportagem do site ressalta que o negócio não avançou porque a própria diretoria da mineradora considerou a proposta desvantajosa. O comitê executivo concluiu que a taxa de retorno do investimento não justificava o aporte, posição endossada pelo atual CEO Gustavo Pimenta, que rejeitou a compra agora em 2026 — curioso desfecho para o executivo que, em 2022, ocupava o cargo de CFO e esteve à frente da venda original do ativo.

O enredo ganhou contornos mais detalhados com a descrição dos bastidores sociais do acordo, como relembra o texto publicado na coluna. No início de maio, o então chairman da Vale, Daniel Stieler, reuniu-se para um jantar no restaurante Nido, no Rio de Janeiro, com os irmãos Batista e uma comitiva de executivos e conselheiros da mineradora. Segundo informado pela colunista, o grupo embarcou no dia seguinte em um jato particular para inspecionar as instalações no Centro-Oeste, em programação articulada por Stieler.

Documentos acessados pela colunista revelam que Manoel Lino Oliveira (o Ollie), candidato da Previ à presidência do conselho, enviou um e-mail a Stieler e Pimenta relatando que sua percepção sobre o negócio mudou após a viagem. No trecho citado pelo site, o conselheiro elogiou o “empreendedorismo fora do normal” e o “apetite para riscos” dos irmãos Batista, impressionado com os investimentos em fluxo logístico fluvial e a obtenção de licenças para produzir até 26 milhões de toneladas de ferro.

Toda essa movimentação ocorre em meio a um ambiente de instabilidade institucional na mineradora. A jornalista Malu Gaspar destaca que a Vale atravessa uma crise interna desencadeada desde que a Previ destituiu Daniel Stieler e indicou Ollie para ocupar a presidência do conselho, nomeação que deve ser oficialmente chancelada na assembleia de acionistas marcada para o dia 22 de julho.

Diante do desgaste, a assessoria da J&F reiterou à equipe do blog o teor da nota oficial divulgada recentemente. Segundo a posição checada pela coluna, a controladora do Sistema Centro-Oeste (LHG Mining) “não está à venda”, justificando que a contratação do Citi visa apenas atrair um parceiro minoritário para financiar os planos de expansão do grupo.

Por fim, a holding informou ao site que o recebimento da comitiva da Vale ocorreu estritamente a pedido da própria mineradora, que desejava conhecer a infraestrutura da LHG. A empresa afirmou ter dispensado ao grupo a mesma cortesia dada a outros executivos do setor, mas descartou qualquer possibilidade de sociedade com a Vale pelo fato de a companhia ser uma concorrente direta no mercado nacional.

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