Tarifaço de 25% dos EUA contra o Brasil entra em vigor nesta quarta-feira (22): minérios e metais não serão atingidos

Apesar do forte impacto sobre setores industriais e manufaturados, o ecossistema mineral brasileiro obteve uma vitória crucial: os minérios e os metais processados foram mantidos na extensa lista de isenções do governo americano, poupando o setor extrativo de um baque direto nas exportações.

Entra em vigor nesta quarta-feira (22/07) a nova tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre parte relevante dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida é fruto da conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sob a amparo da Seção 301, legislação que permite impor sanções contra nações acusadas de “práticas comerciais desleais”.

Apesar do forte impacto sobre setores industriais e manufaturados, o ecossistema mineral brasileiro obteve uma vitória crucial: os minérios e os metais processados foram mantidos na extensa lista de isenções do governo americano, poupando o setor extrativo de um baque direto nas exportações.

Cadeias globais e minerais críticos resguardados

A decisão da Casa Branca de excluir as matérias-primas minerais das sobretaxas responde à dependência da própria indústria americana de suprimentos externos e ao risco de repasse inflacionário nas cadeias de transformação interna.

Com o amparo do USTR, o minério de ferro e toda a pauta de minerais críticos e estratégicos do Brasil permanecem livres da nova alíquota. Ficam totalmente isentos do imposto de 25%:

  • Ferro e seus concentrados (incluindo pelotas de minério de ferro, que tiveram sua isenção mantida apesar de pedidos em contrário).
  • Manganês
  • Cobre
  • Níquel
  • Cobalto
  • Alumínio
  • Zinco
  • Estanho
  • Cromo
  • Tungstênio
  • Urânio e Tório
  • Molibdênio
  • Titânio (incluindo rutilo sintético)
  • Nióbio, tântalo e vanádio
  • Prata
  • Antimônio

  • Minerais não metálicos
  • Grafite natural (cristalina em flocos, pó ou outras formas brutas).
  • Caulim e outras argilas cauliníticas.
  • Fosfatos de cálcio naturais e fosfatos aluminocálcicos naturais.
  • Sulfato de bário natural (baritina)
  • Carbonato de magnésio natural (magnesita), além de magnésia fundida e magnésia calcinada.
  • Amianto (exceto do tipo crocidolita).
  • Mica bruta, incluindo mica em folhas ou lamelas.
  • Espato flúor (fluorspar)
  • Sulfatos de magnésio naturais, especificamente Kieserita e sais de Epsom
  • Criolita natural e quiolita natural
  • Óxidos de ferro micáceos naturais e outras substâncias minerais brutas.
  • Pedras, incluindo pedras de cantaria ou de construção trabalhadas, devido à indisponibilidade de cores e padrões específicos nos EUA.

  • Compostos, cinzas e derivados minerais:
  • Hidróxido de alumínio
  • Óxido de alumínio
  • Cinzas e resíduos contendo metais preciosos (ou seus compostos)
  • Escórias, cinzas e resíduos voltados para a recuperação de cobre ou titânio

Se por um lado o fluxo de embarque das commodities minerais respira aliviado, os custos de capital do setor extrativo sofrerão um baque. A listagem de produtos tarifados incluiu o segmento de equipamentos de mineração, máquinas agrícolas, maquinário elétrico e bens de capital.

Retaliação e justificativas políticas

A alíquota de 25% foi mantida após o encerramento de negociações em Washington. O USTR justificou a retaliação citando a proliferação do sistema Pix (alegando desvantagem competitiva para bandeiras de cartão de crédito americanas), discordâncias sobre a precificação do etanol e alegações ambientais e judiciais.

O governo brasileiro repudiou veementemente os argumentos do USTR — apontando que os EUA possuem superávit comercial com o Brasil e que o Pix opera dentro da soberania financeira nacional —, e confirmou que adotará os trâmites da Lei de Reciprocidade Econômica e acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Alíquota por trabalho forçado

Mesmo com a pauta mineral protegida no âmbito da Seção 301, a mineração brasileira acompanha com atenção uma segunda frente aberta em Washington: a proposta de uma taxa adicional de 12,5% sob a alegação de combate ao trabalho forçado, em análise pelo governo dos EUA para aplicação sobre 60 economias emergentes. Caso avance, a medida poderá impor novos custos operacionais ao comércio bilateral entre os dois países.

Redação CKS Online

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