O Brasil deu um passo histórico para consolidar sua presença na elite da tecnologia global ao iniciar os testes para a produção de ímãs superpotentes utilizando matéria-prima 100% nacional. Segundo informações do portal G1, um laboratório de Minas Gerais recebeu o primeiro lote de minerais estratégicos extraídos em solo brasileiro, marcando o início de uma cadeia produtiva que visa reduzir a dependência externa de componentes essenciais para a indústria do futuro.
O lote de 20 quilos de carbonato de terras raras foi entregue pela mineradora Meteoric ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), localizado em Lagoa Santa (MG). De acordo com o G1, este material é o resultado de processos de extração realizados em uma planta piloto em Poços de Caldas, representando um marco para as pesquisas científicas que, até então, dependiam majoritariamente de insumos importados da China.
As terras raras são fundamentais para a fabricação de motores de carros elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos de alta performance. O processo para chegar ao ímã final é complexo: o carbonato entregue é um composto intermediário obtido após a lavagem da argila iônica. Conforme detalhado pelo G1, a eficiência do processo brasileiro impressiona, transformando argila com baixo teor mineral em um concentrado com 98% de pureza.
A iniciativa faz parte do projeto MagBras, uma aliança que reúne empresas, universidades e centros de pesquisa para criar uma rota tecnológica completa no país. O objetivo é dominar todas as etapas, desde a mineração e a separação dos elementos químicos até a fundição de ligas metálicas e a fabricação dos ímãs de neodímio-ferro-boro (NdFeB), conhecidos por sua força extraordinária e versatilidade industrial.
O coordenador do CIT Senai ITR, André Luis Pimenta de Faria, explicou ao G1 que a disponibilidade de matéria-prima nacional permite validar a tecnologia em escala piloto. “O projeto passa a ter a oportunidade de trabalhar com origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros e redução para metal”, afirmou o especialista, destacando a relevância de transformar minerais brutos em produtos de alto valor agregado.
O material utilizado nos testes foi extraído do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, uma região que se revela como um dos melhores depósitos do mundo para esse tipo de minério. Segundo a mineradora responsável informou ao G1, os índices de recuperação do mineral atingem quase 80%, um patamar significativamente superior à média global de outras minas, que costuma girar em torno de 50%.
Apesar do avanço, o laboratório mineiro continua operando de forma híbrida. Enquanto a produção industrial brasileira não é consolidada, o centro tecnológico mantém o uso de materiais chineses para garantir a continuidade das pesquisas e a segurança do fornecimento. Essa estratégia, conforme ressaltado pelo G1, busca criar uma base industrial sólida para que o Brasil se torne um competidor relevante na mobilidade elétrica e geração de energia limpa.
Além da extração mineral direta, o ecossistema de inovação brasileiro também explora a reciclagem. O centro tecnológico já recebeu amostras de óxidos puros derivados de ímãs reaproveitados, mostrando que a economia circular também fará parte da estratégia nacional. A diversidade de fontes de suprimento é vista como um pilar para a estabilidade da futura indústria de ímãs permanentes na América Latina.
O próximo grande desafio técnico para o setor é o refino e a separação individual dos elementos de terras raras a partir do carbonato. A mineradora Meteoric já se comprometeu com órgãos governamentais para iniciar esses estudos de separação. O portal G1 reforça que este é o degrau final para que o Brasil consiga fabricar, de forma autônoma, os componentes que ditam o ritmo da transição energética mundial.
Com a mina em fase de licenciamento e a tecnologia sendo testada em Minas Gerais, o país se posiciona para deixar de ser apenas um exportador de minério bruto e passar a ser um produtor de tecnologia de ponta. Trata-se de uma movimentação estratégica que une sustentabilidade e desenvolvimento econômico, colocando o Brasil na rota dos ímãs superpotentes que movem a tecnologia moderna.











