A Petrobras estuda internamente, ainda em estágio inicial, sua entrada no setor de minerais críticos e elementos de terras raras. Conforme apurado pela Agência iNFRA, as alternativas mais viáveis sob análise envolvem commodities ligadas à cadeia de fertilizantes em que a estatal já opera, como potássio e fosfato, além de insumos essenciais para a fabricação de baterias, como lítio, sódio e grafita. O principal fator que impulsiona essa movimentação é o interesse da companhia em disputar os leilões de sistemas de armazenamento de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).
A estratégia para avançar no mercado de armazenamento de energia deve ganhar tração por meio da joint venture Lightsource, na qual a Petrobras possui quase metade das ações em parceria com a britânica BP. Segundo a reportagem, o plano consiste em ingressar no setor para dominar a tecnologia e, progressivamente, avaliar o nível de verticalização ideal para o negócio. Isso envolveria o estudo detalhado de toda a cadeia produtiva, partindo da extração de matérias-primas até o desenvolvimento das células de energia e a montagem final dos equipamentos de bateria.
A diversificação para minerais críticos também se inspira em tendências globais do mercado de petróleo, com a presidente Magda Chambriard acompanhando de perto os passos de gigantes como a ExxonMobil, que investe na produção de grafita sintética. No entanto, o site ressalta uma vantagem competitiva do cenário nacional: o Brasil detém a maior reserva de grafita do planeta, somando 48% do total global. Apesar dessa enorme riqueza natural, o país ocupa apenas a quinta posição na produção mundial do mineral, evidenciando um grande potencial geológico que ainda permanece inexplorado.
Além dos insumos voltados à eletrificação, a liderança da Petrobras sinaliza o desejo de ampliar os horizontes institucionais para outras fontes energéticas de grande porte. A publicação relembra que a própria presidente da estatal defendeu publicamente a inclusão do urânio nas frentes de pesquisa e extração da empresa, indicando uma clara inclinação estratégica em direção ao segmento de energia nuclear. Essas intenções reforçam o discurso da diretoria de posicionar a petroleira como uma corporação de energia cada vez mais robusta e integrada.
Apesar do entusiasmo e dos estudos que já ocorrem no centro de pesquisa da companhia (Cenpes), a pauta ainda precisa amadurecer nos ritos internos de governança antes de virar realidade. De acordo com a matéria, a exploração mineral não consta no planejamento vigente da Petrobras e as propostas para o novo Plano Estratégico 2027-2031 sequer foram apresentadas ao Conselho de Administração. Fontes ligadas ao colegiado confirmam que o assunto ainda não integra os documentos oficiais programados para debate no fim deste ano.
O principal entrave para a consolidação dessa nova jornada comercial reside na segurança jurídica do Estatuto Social da Petrobras. Conforme conclui a matéria da Agência iNFRA, juristas e ex-dirigentes da empresa apontam que atividades indiretas de fomento, pesquisa e parcerias tecnológicas podem ser validadas sob as regras atuais de transição ecológica. Contudo, se a companhia optar por adquirir direitos minerários e explorar jazidas comerciais diretamente no subsolo, será fundamental convocar uma Assembleia Geral para alterar formalmente o estatuto, evitando questionamentos judiciais por parte dos acionistas minoritários.











