Eleições 2026: AMIG realizará debate com candidatos ao Governo de Minas Gerais e ao Senado sobre mineração

O encontro tem como objetivo sabatinar os postulantes ao Palácio Tiradentes e ao Congresso Nacional sobre propostas concretas para as cidades que abrigam e sofrem os impactos diretos da extração mineral no estado.

Montagem de fotos com os candidatos ao governo de MG / Fonte: G1 Minas Gerais

No dia 19 de agosto, a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) realizará um debate com candidatos ao Governo de Minas Gerais e ao Senado Federal pelo estado, no Centro de Convenções do Mercure Belo Horizonte Lourdes, na capital mineira. Com o tema “Mineração em Debate 2026 – Os compromissos de quem quer governar Minas e representar o Estado no Senado”, o encontro tem como objetivo sabatinar os postulantes ao Palácio Tiradentes e ao Congresso Nacional sobre propostas concretas para as cidades que abrigam e sofrem os impactos diretos da extração mineral no estado.

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A programação será aberta ao público mediante inscrição (disponível aqui) e contará com transmissão ao vivo pelos canais oficiais da AMIG Brasil. Além disso, a entidade disponibilizou um credenciamento exclusivo para que veículos de imprensa acompanhem o evento e realizem entrevistas com os candidatos (formulário disponível aqui).

A disputa pelo governo de Minas Gerais tem 11 candidatos confirmados. Confira que são eles, em ordem alfabética: Alexandre Kalil (PDT), Ben Mendes (Missão), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (UP), Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB).

Para o cargo de senador por Minas Gerais, foram anunciados 13 nomes. São eles, também ordem alfabética: Ana Luiza do MLB (UP), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Fidélis Alcântara (UP), Jordano Carvalho (PSTU), Marcelo Aro (PP), Marco Antônio Costa (Novo), Marília Campos (PT), Ramon Moreira (DC), Sebastião de Oliveira Pessoa (PCO) e Victoria Mello (PSTU).

Montagem com fotos dos candidatos ao Senado por MG / Fonte: G1 Minas Gerais

A AMIG não informou ainda quais candidatos confirmaram presença no debate.

Cidades mineradoras: o ônus versus o bônus

Em entrevista sobre a iniciativa concedida ao Diário do Comércio, o presidente da AMIG Brasil e prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, destacou que a sabatina busca forçar os candidatos a assumirem compromissos de longo prazo. Segundo o dirigente, os municípios mineradores respondem por parcelas expressivas do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e nacional, mas arcam com custos sociais e ambientais desproporcionais.

“Os municípios mineradores sustentam uma parcela expressiva da economia brasileira, mas assumem os maiores impactos, como a pressão sobre a infraestrutura, o meio ambiente e as finanças públicas. A conclusão que se chega no modelo atual é que não vale a pena ser um território minerador. Tem mais ônus do que bônus. Queremos saber quais são as propostas dos candidatos para transformar essa riqueza em desenvolvimento, infraestrutura e qualidade de vida”, avaliou.

Presidente da AMIG Brasil e prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage – Foto: Diário do Comércio / Rafael Tomaz

Lage enfatizou a necessidade de o Brasil aproximar seu modelo de governança mineral de países como Austrália e Canadá, distanciando-se de práticas puramente extrativistas e sem legado socioeconômico.

Pautas prioritárias em discussão

Entre as demandas que a AMIG apresentará aos candidatos nas eleições de 2026, destacam-se pontos críticos da legislação e da fiscalização mineral no país:

  • Reestruturação da Agência Nacional de Mineração (ANM): Fortalecimento do órgão regulador para ampliar a fiscalização, combater a sonegação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e coibir o avanço do garimpo ilegal.
  • Revisão da CFEM: Defesa do aumento da alíquota da compensação financeira dos atuais 3,5% sobre o faturamento para patamares superiores a 9%, alinhando os royalties minerais aos praticados no setor de petróleo e em outros mercados internacionais.
  • Modernização do Código de Mineração (1967): Revisão do sistema de outorga de jazidas para impor prazos definidos de início e fim da exploração, evitando a retenção indeterminada de áreas de lavra.
  • Soberania e minerais críticos: Discussão sobre agregação de valor na cadeia de terras-raras e transição energética, garantindo o beneficiamento da matéria-prima no país em vez da exportação bruta incentiva pela desoneração da Lei Kandir.
  • Diversificação e pós-mineração: Criação de fundos e planos de sustentabilidade territorial para evitar o empobrecimento repentino das cidades após a exaustão das minas — citando o exemplo de Itabira, cuja previsão de encerramento das atividades da Vale projeta um horizonte de transição econômica obrigatória.

“A mineração estará presente na agenda de qualquer futuro governador e dos representantes de Minas no Senado. É fundamental que esse compromisso seja debatido de forma transparente durante o processo eleitoral”, concluiu o presidente da AMIG Brasil.

Redação CKS Online

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