O 1º Festival de Chorinho da Amazônia em sua primeira edição em Parauapebas reuniu, além de boa música, economia criativa e lazer para muitas famílias no sábado, 19. A itinerância, que reúne o melhor do chorinho autoral da Amazônia Legal, começou em Parauapebas, segue para Canaã dos Carajás e Marabá e encerra em uma versão pocket na capital, Belém. A turnê tem o patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.
Foi um encontro que vai ficar marcado na história da primeira praça de Parauapebas, a Mahatma Gandhi, que, antes silenciosa, se encheu de cor e alegria ao som do Regional Tira-Teima (MA) e do Projeto Relembrando (PA) no último fim de semana. O evento movimentou os empreendedores da praça e coletivos de mulheres que fazem a economia circular. Felipe Oliveira, do Acarajé do Baiano, contou que já trabalha em Parauapebas há 23 anos.

“Eu venho parabenizar e agradecer a cada um de vocês pelo evento, um evento muito top. Tem sido muito produtivo tanto pra gente que trabalha aqui na Praça Mahatma quanto para a galera que vem curtindo a cultura. Cultura que vem agregando pessoas a cada dia que passa. Que bom que tive a chance de falar e pedir pra que vocês venham fazer esses eventos mais vezes”, celebra Felipe.
Natália dos Santos Almeida, a Naty do Crochê, faz parte do coletivo Quintal Criativo há sete meses. “Tem sido uma experiência maravilhosa estar participando com mulheres que são ricas de conhecimento e produzem artes incríveis. É uma troca inesquecível mesmo. Aqui a gente cria conexões e também empreende com nossas artes, nossos produtos, e estar expondo aqui na praça com esses shows está sendo maravilhoso. A pessoa vem, conhece o meu produto, pega o contato e, depois de uma feirinha dessas, às vezes eu pego cinco encomendas aqui”, enfatiza Naty.

O público foi diversificado e atraído pela estrutura profissional de palco, luz e som, à altura dos músicos e da plateia. Rosa Resende, carioca que mora em Parauapebas há muito tempo, disse que é sempre bom curtir shows de qualidade por aqui.
“Os grupos são muito bons e eu particularmente gosto de chorinho. Quem não veio perdeu! Eu tô gostando muito, espero que tenha sempre”, ressaltou. “A cultura faz nosso coração pulsar, e iniciativas como essas trazem uma riqueza cultural para a cidade. Faz com que nós tenhamos a oportunidade de conhecer músicos e um pouco mais sobre outros ritmos musicais, que muitas vezes nós não temos a oportunidade de conhecer aqui na cidade.
Além disso, compartilhando essa cultura e divulgando esse conhecimento, nós também conseguimos observar a movimentação da economia local. Que iniciativas como esta venham só agregar ainda mais tanto para a população quanto para movimentar um pouco a economia da região. Então, está sendo um dia perfeito!”, declarou Veruska Gomes, professora universitária.
Ayanna Miranda é fundadora da Casa Serenar e estava participando do festival com o coletivo Flor de Carajás. “É um coletivo que fortalece empreendedoras locais, e participar desses movimentos é muito importante porque existe uma ajuda mútua. Os artesãos e artesãs estão sempre unidos, se ajudando. O evento traz muita visibilidade para nossa marca e, desde que eu iniciei com a Casa Serenar, há um ano, eu posso dizer que a visibilidade da minha marca aumentou seis vezes depois que comecei a participar de feiras e eventos com coletivos de empreendedorismo”, disse Ayanna.

“Eu sou músico e professor e encontro bastante gente aqui. Isso me dá um prazer imenso de poder estar aqui e saber que a musicalidade é tão plural. Que bom que a gente pode participar. Para mim, é um oásis dentro de Parauapebas”, ressaltou Jair Diniz, que mora no município há sete anos.
Regional Tira-Teima
“Nós recebemos o convite da TheRoque Produções para participar do 1º Festival de Chorinho da Amazônia. Ficamos muito felizes porque nós carregamos essa bandeira do choro há muitos anos, e iniciativas como essa são muito importantes para divulgar um gênero musical pouco divulgado pela mídia tradicional”, contou
O Regional Tira-Teima foi fundado em 1973 e está em sua terceira formação com Paulo Trabulsi, no cavaquinho solo; Sadi Ericeira, no cavaquinho centro; Maicon Silva, no violão de sete cordas; João Neto, na flauta; e Valdico Monteiro, no pandeiro. “É o gênero musical mais antigo do Brasil, quer dizer, é muito importante que os jovens tomem conhecimento desse estilo musical. É tido como a espinha dorsal da música brasileira”, destacou Sadi Ericeira.
Projeto Relembrando
“É uma iniciativa maravilhosa, sobretudo no aspecto de se tocar choro na nossa região, na região Norte, e ainda mais aqui no sudeste do Pará. É uma grata surpresa para nós que aconteça um festival de choro aqui na nossa floresta e poder tocar músicas autorais, choros nossos, do Cardoso, do Tiago Amaral. É uma alegria imensa também homenagear nossos colegas compositores de choro e chorões. Eu me sinto muito feliz, honrado de estar participando desse movimento”, celebra Paulinho Moura.
“Como diz o mestre Adamor do Bandolim, quem toca choro toca qualquer tipo de música, porque é uma música que exige muito. É a nossa música, a nossa música mulata, misturada com a polca europeia, o nosso batuque, nossa música indígena. A gente fica muito orgulhoso de ter participado e agradece toda a produção do festival”, lembrou Moura.
TheRoque Produções
O 1º Festival de Chorinho da Amazônia é uma turnê que vai circular por quatro cidades do Pará. “A expectativa estava altíssima. Ver a praça lotada deu uma satisfação pra gente. É um resultado positivo para quem tem feito um exercício de trabalhar a música instrumental no território de Carajás e, aos poucos, a gente está vendo o resultado disso: resultado no público, resultado de plateia, resultado dos conjuntos instrumentais. E isso tem sido muito satisfatório”, diz Jackson Gouveia, da TheRoque Produções.
O projeto iniciou no dia 19/09, em Parauapebas. Segue para Canaã dos Carajás no dia 09/10, depois Marabá, e se encerra em Belém, em uma versão pocket.
“Eu acredito que demos uma largada superpositiva fazendo um encontro de duas escolas de chorinho da Amazônia: a escola de chorinho do Maranhão, com o Regional Tira-Teima, um grupo com mais de cinco décadas de tradição, o conjunto mais longevo do estado do Maranhão; e o Projeto Relembrando, que é liderado pelo Tiago Amaral e pelo Paulinho Moura, com os convidados Ennio Gondim, André Ganso e Cardosinho, fazendo esse encontro do Maranhão com o Pará em Parauapebas.
Este é o propósito, esse é o objetivo do Festival da Amazônia: dar visibilidade ao que nós temos de produção genuinamente nortista do chorinho, com esse recorte da Amazônia”, ressalta Jackson Gouveia, da TheRoque Produções.
Sobre a Vale
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quinto ano consecutivo é a maior apoiadora privada da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.







