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Jony Peterson

Jony Peterson de Oliveira Lima é Engenheiro de Minas com mais de 19 anos de experiência em Lavra a Céu Aberto e Tecnologia Mineral, além de especialização em Tecnologia da Informação, Perícia Digital e Computação Forense. Atua há mais de 8 anos em cargos de gestão, com destaque para o planejamento de minas de calcário, e atualmente trabalha como consultor em planejamento de lavra na sua empresa a Mino Mining Innovations e atende o Brasil inteiro.

É idealizador e apresentador do Podcast da Mineração, o primeiro podcast de mineração do Brasil, além de criador do primeiro congresso on-line do setor no país. Também atua na transmissão de mídia especializada para eventos de mineração, alcançando mais de 80 mil interações no LinkedIn.

Criou o treinamento de Planejamento de Lavra a Céu Aberto utilizando o Micromine e foi destaque em Comunicação do Setor Mineral no prêmio TOP Business da OPESP em 2023. Já atuou como professor e orientador técnico na Universidade Federal de Goiás e no SENAI Pará, na área de Lavra.

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Jony Peterson

Jony Peterson de Oliveira Lima é Engenheiro de Minas com mais de 19 anos de experiência em Lavra a Céu Aberto e Tecnologia Mineral, além de especialização em Tecnologia da Informação, Perícia Digital e Computação Forense. Atua há mais de 8 anos em cargos de gestão, com destaque para o planejamento de minas de calcário, e atualmente trabalha como consultor em planejamento de lavra na sua empresa a Mino Mining Innovations e atende o Brasil inteiro.

É idealizador e apresentador do Podcast da Mineração, o primeiro podcast de mineração do Brasil, além de criador do primeiro congresso on-line do setor no país. Também atua na transmissão de mídia especializada para eventos de mineração, alcançando mais de 80 mil interações no LinkedIn.

Criou o treinamento de Planejamento de Lavra a Céu Aberto utilizando o Micromine e foi destaque em Comunicação do Setor Mineral no prêmio TOP Business da OPESP em 2023. Já atuou como professor e orientador técnico na Universidade Federal de Goiás e no SENAI Pará, na área de Lavra.

Do Pit ao Pit: como a transição energética e a bolsa estão redefinindo o valor da mineração

Diferente de um produto industrializado comum, o minerador não define o preço do seu próprio produto. Quem define é o mercado global por meio de bolsas como a London Metal Exchange (LME), a Chicago Mercantile Exchange (CME) e a Bolsa de Dalian (DCE). Confira o texto desta semana da Coluna Mineração de Valor, assinada por Jony Peterson.

Quando comecei minha trajetória na mineração, há quase 20 anos, confesso que a minha visão sobre a lavra era muito mais voltada para a terra, para a frota e para o ritmo de produção no pit. Naquela época, eu não imaginava o tamanho e a velocidade do impacto que os mercados financeiros e as bolsas de valores mundiais teriam diretamente na nossa rotina dentro da mina, na escolha do cutoff e no planejamento de lavra a longo prazo.

Hoje, a realidade é clara: quem opera no chão de fábrica precisa entender o que se passa nos painéis das bolsas de commodities. E o cenário atual mostra uma divisão nítida no setor: uma mineração tradicional estagnada de um lado e os minerais de transição disparando do outro.

Mas o que explica essa dualidade? E como isso se traduz no valor do minério e nas decisões operacionais?

1. O que é uma commodity mineral e como ela é precificada na bolsa?

Para entender o momento atual, precisamos voltar ao básico. Uma commodity mineral é um bem primário padronizado, produzido em larga escala e intercambiável — ou seja, a tonelada de minério de ferro extraído em Minas Gerais ou na Austrália atende a especificações químicas e físicas globais semelhantes.

Diferente de um produto industrializado comum, o minerador não define o preço do seu próprio produto. Quem define é o mercado global por meio de bolsas como a London Metal Exchange (LME), a Chicago Mercantile Exchange (CME) e a Bolsa de Dalian (DCE).

A precificação ocorre com base em:

  • Oferta e Demanda Global: Expectativas de consumo industrial contra capacidade de produção mundial.
  • Teor e Qualidade: Prêmios para minérios com maior teor (ex: Fe 65% vs. Fe 62%) e menores contaminantes (sílica, fósforo, alumina).
  • Especulação Financeira e Estoques: Posições de fundos de investimento e volume de estoques nos principais portos mundiais.

2. Quem está indo MAL (ou estável/fraco): mineração tradicional

A mineração tradicional — impulsionada principalmente pelo minério de ferro e pelo carvão — vive um momento de estabilidade fria e incertezas.

O grande motor dessa classe sempre foi a urbanização e a industrialização pesada, lideradas pela China nas últimas duas décadas. Com o desaquecimento do setor imobiliário chinês e a maturidade da sua infraestrutura, a demanda por aço desacelerou.

  • Impacto no Preço: Sem grandes gatilhos de crescimento, os preços oscilam em patamares laterais.
  • Reflexo na Operação: Em lavras a céu aberto de grande porte, margens mais apertadas exigem foco absoluto em eficiência operacional, redução do custo por tonelada movimentada (), otimização do fator de carga/transporte e aumento do strip ratio (relação estéril/minério) limite. Não há espaço para ineficiência.

3. Quem está indo BEM: metais de transição e preciosos

Na outra ponta do gráfico, vemos a ascensão acelerada dos metais de transição energética (Lítio, Cobre, Níquel, Cobalto, Terras Raras) e a consolidação de segurança dos metais preciosos (Ouro e Prata).

Por que os metais de transição estão em alta?

A transição global para matrizes limpas, eletromobilidade (veículos elétricos) e armazenamento de energia criou uma demanda sem precedentes.

  • Um carro elétrico consome até quatro vezes mais cobre que um veículo a combustão.
  • A expansão de redes elétricas e parques eólicos/solares exige volumes massivos de metais básicos e estratégicos.

A oferta desses minerais não consegue acompanhar a velocidade da demanda devido ao tempo de maturação de novos projetos (lead time de 7 a 10 anos entre a descoberta e o primeiro ramp-up). Resultado: escassez relativa e alta valorização nas bolsas.

E os preciosos?

O ouro continua cumprindo seu papel histórico de reserva de valor e proteção (hedge) contra inflação e tensões geopolíticas globais, mantendo cotações em patamares elevados.

4. Como investir e como isso impacta as operações no campo

Para quem deseja se posicionar na bolsa atualmente, o mercado oferece caminhos que vão desde ações de majors consolidadas até fundos de índice (ETFs) focados em minerais críticos e empresas de juniors de exploração.

Mas como essa dinâmica de investimento afeta diretamente quem está com o capacete na cabeça na mina?

  1. Revisão de Planos de Lavra: Cotações altas de metais de transição viabilizam lavras com teores de corte (cutoff) mais baixos e maiores relações estéril/minério, aumentando a reserva lavrável.
  2. Aprovação de CAPEX: Projetos focados em minerais críticos encontram capital mais barato e investidores dispostos a financiar expansões e novas tecnologias (automação, frotas elétricas, processamento a seco).
  3. Pressão por ESG: O investidor da bolsa que aporta capital em minerais “verdes” exige rígido cumprimento de normas ambientais, sociais e de governança. A mina precisa ser limpa na origem para vender o mineral da transição.

Conclusão

Nesses quase 20 anos de estrada, vi a mineração deixar de ser vista apenas como uma indústria de movimentação de massa bruta para se tornar o pilar central da geopolítica tecnológica e ambiental do planeta.

Para nós, engenheiros de minas e profissionais do setor, o desafio atual vai além de otimizar a perfuração e o desmonte. Precisamos entender a leitura que o mercado faz do nosso produto. A mineração tradicional continuará sendo a base da infraestrutura global, mas é na transição energética que estão os novos horizontes de margem, investimento e inovação da nossa profissão.

Por Jony Peterson

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