O rádio, historicamente conhecido por sua capacidade de reduzir distâncias, reafirma seu papel social como construtor de pontes entre estados vizinhos. O quadro “Conexão Açaí-Cuxá”, que promove um intercâmbio diário entre Parauapebas (PA) e Imperatriz (MA), cidades 300 km distantes, tornou-se objeto de estudo científico e resultou na dissertação de mestrado de Morgana Albuquerque Souza, jornalista com atuação em Parauapebas e pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
De segunda a sexta-feira, por aproximadamente dez minutos, as cidades de Parauapebas, no sudeste paraense, e Imperatriz, no oeste maranhense, entram em cadeia ao vivo. O quadro é transmitido pelo programa Alerta 96, da rádio Arara-Azul FM (PA), em conexão com o programa Rádio Alternativo, da Nativa FM (MA) e conta com nomes de peso do rádio do Pará e do Maranhão: Arimatéia Júnior, Elson Brito, Edy Soares e Alexandre Costa.

Vale destacar que a comunidade maranhense é a maior entre os migrantes em Parauapebas. Como uma cidade polo de serviços, saúde e educação, Imperatriz também atrai muitos paraenses.
Durante a transmissão, as emissoras compartilham notícias, prestação de serviço e o cotidiano das duas regiões, criando uma unidade informativa que ignora as divisas estaduais.
O estudo de Morgana Souza, integrante do grupo de pesquisa Rádio e Mídia Sonora da UFMA, revela que o quadro desempenha uma função vital no jornalismo de proximidade. Mais do que informar, o programa atua como uma mediação cultural para os migrantes maranhenses que residem no Pará.


Elson Brito e Arimatéia: Vozes de destaque no Pará e no Maranhão
O nome do quadro — unindo o açaí (símbolo paraense) ao cuxá (ícone da culinária maranhense) — já estabelece um laço de identidade imediato. Ao ouvir vozes e notícias de sua terra natal, o migrante mantém viva a conexão com suas origens, combatendo o isolamento geográfico.
A pesquisa aponta que, mesmo sem pautar temas exclusivamente culturais o tempo todo, a simples existência do quadro fortalece o imaginário de pertencimento do ouvinte.
“O rádio atua como mediação entre pessoas, memórias e culturas, unindo quem migrou e quem permaneceu”, destaca o estudo.
Orientada pela professora Izani Mustafá, a dissertação preenche uma lacuna importante sobre a história da mídia sonora nas regiões Norte e Nordeste. Segundo a autora, a produção radiofônica local carece de análises científicas, especialmente em veículos que não integram os grandes conglomerados de comunicação nacionais.
A pesquisa conclui que o rádio, por meio do som e da oralidade, continua sendo uma ferramenta poderosa para articular territórios e afetos, provando que a tecnologia das ondas sonoras é, acima de tudo, uma tecnologia de inclusão social e manutenção de laços humanos.








