EXPOSIBRAM: Estudos apontam papel central do Brasil na transição energética global

Nesta quinta-feira (30), a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2025) foi marcada por discussões estratégicas que apontam o Brasil como um player essencial na corrida mundial por minerais críticos. Em um painel moderado pela gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Cinthia de Paiva Rodrigues, foram apresentados dois estudos que mapeiam o potencial mineral do país e apontam caminhos para transformar essa riqueza em liderança global.

Os trabalhos, desenvolvidos pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) em parceria com o IBRAM, e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), convergem na avaliação de que o país possui uma dotação mineral estratégica, mas que exige ações coordenadas para desenvolver plenamente suas cadeias.

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CETEM e IBRAM: O passaporte para o futuro

O estudo do CETEM/IBRAM, intitulado “Minerais Críticos e Estratégicos: um passaporte para o futuro”, atualizou o mapeamento lançado em 2023, ampliando o escopo para 18 tipologias minerais e suas respectivas rotas tecnológicas.

A pesquisadora Lúcia Helena Xavier (CETEM) explicou a distinção fundamental adotada pelo estudo: “Crítico é o que atende a interesses internacionais; estratégico é o que pode alavancar o Brasil em função da sua dotação e vocação mineral.”

O trabalho, resultado de intensa colaboração com empresas e instituições, busca posicionar o Brasil de forma mais assertiva na demanda global. Luciana Contador (CETEM) reforçou que o objetivo final vai além da extração. As recomendações do estudo enfatizam a necessidade de inovação, circularidade e agregação de valor.

“O Brasil tem cadeias estruturadas e competitivas, como a do ferro, mas outras ainda precisam de estímulo para desenvolver toda a sua rota tecnológica. Não se trata apenas de extrair, mas de transformar com sustentabilidade e inteligência,” observou Contador.

CEBRI: análise geopolítica

Complementando a discussão, Rafaela Guedes (consultora independente & Senior Fellow no CEBRI) apresentou o estudo “O papel do Brasil na Agenda Global de Minerais Críticos e Estratégicos”. O trabalho oferece uma análise geopolítica e econômica da transição energética no período de 2025 a 2050, identificando as rotas tecnológicas de descarbonização e estimando a demanda futura por materiais.

Guedes destacou que, apesar de o Brasil ter um papel central na agenda, ainda “carece de uma lista oficial de minerais críticos”.

O estudo do CEBRI aponta que o país detém reservas significativas de minerais-chave, como lítio, níquel, nióbio, grafita e terras raras. Contudo, a pesquisadora alertou para desafios estruturais: “O Brasil tem uma janela de oportunidade para diversificar sua economia e liderar o fornecimento de minerais para a transição energética global. Isso exige políticas industriais regionais, marcos regulatórios modernos e cooperação internacional.”

No encerramento do painel, Cinthia Rodrigues (IBRAM) sublinhou a relevância da colaboração e o papel vital das instituições brasileiras de ciência e tecnologia na consolidação desses estudos, que buscam conectar o potencial nacional às melhores práticas internacionais.

Os dois estudos estão disponíveis gratuitamente para consulta e download, servindo como subsídio técnico fundamental para investidores e policymakers do setor.

Por CKS Online / Cobertura especial Exposibram 2025 | Salvador (BA).

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