João Tatagiba quebra o silêncio sobre rompimento com a gestão municipal, fala sobre “isolamento” e diz que preferiu recuar

Em conversa direta com o apresentador Markus Mutran, vice-prefeito diz: "Fui alijado de todas as formas do campo de decisões"

A estreia do podcast Podmais trouxe revelações sobre os bastidores da política marabaense. Em entrevista exclusiva ao jornalista Markus Mutran, o vice-prefeito de Marabá, João Tatagiba, falou pela primeira vez de forma aberta sobre o seu rompimento com o prefeito municipal, Toni Cunha. Durante a conversa, o empresário e político detalhou as dificuldades enfrentadas na gestão e o que chamou de “isolamento”. O vice chegou a falar que sentiu que não tinha sido nomeado para a secretaria para trabalhar, mas “para ser isolado”.

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Tatagiba, que assumiu a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo com a expectativa de aplicar sua experiência do setor privado, afirmou que encontrou barreiras intransponíveis. Segundo ele, a vontade de implementar políticas de desenvolvimento esbarrou na falta de suporte do gabinete central.

“Infelizmente, tenho que deixar claro: fomos com vontade de trabalhar, mas divergiu da opinião de quem… enfim, divergiu do que imaginávamos. (…) Infelizmente, não avançamos porque não encontramos apoio da gestão”, declarou.

O entrevistado ressaltou que sua intenção era técnica, focada em programas de atração de investimento e polos de tecnologia, mas percebeu que o plano da gestão era outro. “Eu me enganei. Minha intenção era chegar lá e usar a experiência e visão empresarial para desempenhar dentro da secretaria, mas deparou com uma outra condição”, confessou ao Podmais.

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o relato de Tatagiba sobre a dinâmica de poder entre o prefeito e seu vice. Ele sugeriu que sua presença no governo gerou insegurança no “poder central”.

“Fui entender que, na verdade, eu fui para lá não para trabalhar, mas para que eu estivesse num lugar onde pudesse ser isolado. (…) É natural… acabo que o titular fica o tempo todo olhando: ‘será que esse cara não quer o meu lugar?’”, pontuou.

João Tatagiba afirmou que, apesar de ter montado uma equipe eficiente utilizando quadros subutilizados da própria prefeitura, não recebia as condições básicas para atuar. “Infelizmente eu não tive espaço. Fui alijado de todas as formas do campo de decisões do governo. Para você ter uma ideia, eu não tinha um espaço para trabalhar”.

Questionado sobre por que não levou o embate para o campo público anteriormente, Tatagiba explicou que priorizou a estabilidade e a ética. Segundo ele, a decisão de entregar o cargo foi uma forma de preservar sua integridade e saúde.

“Eu optei por submergir e recuar. Não fui para o confronto porque acho que nada se resolve no confronto. Vejo o confronto como saída para a confusão, e eu não gosto de confusão. Optei por recuar pela minha qualidade de vida e tranquilidade.”

Ele reforçou que, apesar do rompimento, mantém o respeito institucional: “Nunca tive divergência verbal com o prefeito, sempre o respeitei, pois ele recebeu os votos para o cargo. Por último, quando vi que não dava para continuar, apenas assinei a carta de demissão”.

Mesmo fora da linha de frente da gestão, Tatagiba aproveitou o espaço no Podmais para defender uma pauta econômica voltada para a industrialização local. Para ele, Marabá precisa de um programa arrojado de atração de empresas para sanar a falta de espaços adequados para o empreendedorismo.

“Marabá precisa seriamente de uma política de atração de investimentos. (…) Empresa nenhuma vem para cá só porque Marabá é bonita. Temos que criar atrativos”, alertou.

Entre suas sugestões, destacou a necessidade urgente de o município assumir o protagonismo na infraestrutura industrial: “Minha sugestão na época foi que o município comprasse uma área e construísse um mini distrito industrial municipal”, concluiu.

Veja a entrevista completa no vídeo abaixo:

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