A Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão imediata de todas as operações da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. Segundo informações publicadas pelo Jornal O Globo, a decisão liminar atende a um pedido do Ministério Público (MPMG) e do Estado, após o rompimento na Cava Área 18, ocorrido em 25 de janeiro de 2026. A paralisação deve ser mantida até que a mineradora comprove tecnicamente a estabilidade e a segurança de todas as estruturas da unidade.
De acordo com a apuração do Jornal O Globo, a ação civil pública sustenta que o colapso resultou no vazamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos. O material atingiu propriedades de terceiros e cursos d’água essenciais, como o Rio Maranhão, integrante da bacia do Paraopeba. O MPMG argumenta que o desastre foi agravado pelo uso inadequado da cava como reservatório de rejeitos e por falhas críticas no sistema de drenagem da empresa.
Além do impacto ambiental, o governo estadual e o Ministério Público acusam a mineradora de negligência na comunicação do incidente. Conforme reportado pelo Jornal O Globo, as autoridades afirmam que a Vale levou mais de dez horas para notificar o Núcleo de Emergência Ambiental, atrasando a resposta dos órgãos públicos. Na decisão, a juíza Monica Silveira Vieira impôs uma multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das medidas de mitigação e monitoramento.
Paralelamente, a Vale enfrenta outra determinação judicial referente à Mina de Viga, em Congonhas. O Jornal O Globo destaca que a Justiça deu cinco dias para a empresa conter vazamentos de sedimentos que atingiram o Córrego Maria José. O magistrado Ricardo Sávio de Oliveira apontou que a mineradora descumpriu a Política Nacional de Segurança de Barragens ao não informar sobre a instalação de estruturas de contenção em uma cava que constava oficialmente como inativa.
Apesar da gravidade dos relatos, o Judiciário negou os pedidos de bloqueios financeiros bilionários solicitados pelo Estado. Segundo o Jornal O Globo, os magistrados consideraram prematuro o congelamento de R$ 846,6 milhões (caso de Fábrica) e de R$ 1 bilhão (caso de Viga), argumentando que o montante das indenizações ainda precisa de definição técnica. As decisões focam, por ora, na obrigação de apresentar planos emergenciais de recuperação ambiental e fornecimento de água potável às comunidades afetadas.
Em resposta aos questionamentos feitos pelo Jornal O Globo, a Vale adotou uma postura cautelosa. A mineradora informou que segue cooperando com as autoridades competentes e que apresentará suas manifestações formais dentro dos prazos legais estabelecidos. A empresa ressaltou que as ações indispensáveis à mitigação de riscos e proteção ambiental continuam sendo priorizadas em suas unidades operacionais.











