Mercado em alerta: ativos da Mineradora BHP no Pará despertam interesse de grupos globais do setor

Operação da OZ Minerals em Água Azul do Norte pode mudar de controle nos próximos meses.

A BHP, uma das maiores mineradoras do mundo, avalia vender parte ou a totalidade dos ativos de cobre que herdou com a aquisição da Oz Minerals, concluída em 2023. O foco da negociação está sobre a mina Pedra Branca, localizada em Água Azul do Norte (PA), no Sudeste do Pará, considerada hoje o principal ativo brasileiro da empresa no segmento de cobre.

A operação da OZ Minerals em Água Azul do Norte pode mudar de controle nos próximos meses; clima entre trabalhadores é de expectativa e grandes mineradoras observam o processo de perto.

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Fontes do setor revelam que um grande banco foi contratado para intermediar o processo, e que a definição sobre quem assumirá os ativos pode ocorrer até o fim do próximo semestre de 2025. A movimentação vem sendo acompanhada de perto por empresas do setor mineral e já provoca reações internas entre os trabalhadores.

Pedra Branca: ativo estratégico da BHP no Brasil

A mina Pedra Branca foi inaugurada em 2020 e opera por lavra subterrânea, com capacidade instalada de 720 mil toneladas de minério por ano. O processamento é feito na planta de Curionópolis, com capacidade de 800 mil toneladas/ano, gerando cerca de 12 mil toneladas/ano de cobre em concentrado.

A BHP também mantém o projeto Pantera, uma área de exploração a 110 km da Pedra Branca, com potencial para expansão futura. Vale lembrar que os direitos do Pantera são compartilhados com Vale e BNDES, e a antiga Oz Minerals detinha uma opção de compra de até 50% no projeto.

Importante: G-Mining já adquiriu ativos de ouro no Maranhão

Diferente do que alguns veículos inicialmente especularam, os ativos de ouro da BHP no Maranhão, como o projeto Centro Gold, já foram vendidos em 2024 para a G-Mining Ventures, que assumiu o desenvolvimento da Província Aurífera de Gurupi.

A operação envolve dois depósitos principais — Blanket e Contact —, e prevê produção anual entre 100 mil e 120 mil onças de ouro por até 10 anos. A G-Mining agora é a responsável exclusiva por esse projeto.

Portanto, a atual negociação em curso com a BHP diz respeito apenas aos ativos de cobre localizados no estado do Pará.

Quatro grupos analisam os ativos de cobre

As conversas envolvem pelo menos quatro grupos empresariais, que estariam interessados nos ativos de cobre no Pará:

Nexa Resources – multinacional com sede em Luxemburgo e presença forte no Brasil e Peru, já em fase inicial de análise.

Bravo Mining – com projetos ativos na região de Curionópolis, pode aproveitar sinergias logísticas.

Yildirim Group – conglomerado global de origem turca que atua em mineração, energia e transporte.

G-Mining – apesar de já ter adquirido os ativos de ouro no Maranhão, também monitora o mercado de cobre, mas ainda sem confirmação de interesse direto nesta negociação.

Nenhuma das empresas acima confirmou formalmente participação no processo até o fechamento desta matéria.

Funcionários divididos: otimismo e incerteza no ar

O possível novo controle da operação já gerou reações entre os trabalhadores da unidade de Pedra Branca. Segundo relatos colhidos pela reportagem com alguns funcionários:

“Muitos acham que pode vir uma empresa mais próxima, mais ativa, com foco total no cobre. Mas também há apreensão, já que a BHP tem estrutura sólida. A troca de comando sempre gera dúvidas.”

Com centenas de empregos diretos e indiretos na região, qualquer movimentação empresarial impacta não apenas os funcionários, mas também a economia local de Água Azul do Norte.

Estratégia global: por que a BHP quer sair?

A BHP concluiu a compra da Oz Minerals em maio de 2023, pagando A$ 9,6 bilhões (US$ 6,3 bilhões) para reforçar seu portfólio de cobre — metal considerado fundamental para a eletrificação e a transição energética.

Mas internamente, a companhia já vinha sinalizando a intenção de se desfazer de ativos menores e manter o foco em operações de grande escala, localizadas principalmente no Chile, Peru, Canadá e Austrália.

Redação CKS Online

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