Moratório rebate críticas de Aurélio Goiano, fala em “diferença de métodos” e que prefeito quer “terceirizar culpas”

Presidente da Câmara criticou métodos do prefeito e indicou que ele tenta se esquivar de problemas da gestão

O presidente da Câmara Municipal de Parauapebas, vereador Anderson Moratório, utilizou a tribuna para responder publicamente às recentes declarações do prefeito Aurélio Goiano. Durante uma transmissão ao vivo, o chefe do Executivo acusou o parlamentar de tentar controlar a Secretaria de Educação e de obstruir a tramitação de projetos de interesse da administração municipal na Casa de Leis.

“O que nos uniu foi o anseio da mudança, e esse desejo continua a mover, a cada dia, a minha vida pública. Ocorre que o senhor dá provas cotidianas que mudar é tudo o que o senhor não deseja. Prefeito, nós não nos afastamos por questões partidárias. O que nos separa não é cargo, não é espaço governamental; é método, é falta de respeito. Não é interesse pessoal, é conceito”, discursou.

Continua depois da publicidade

Em tom incisivo, Moratório refutou as acusações de motivação pessoal ou busca por cargos, classificando a narrativa do prefeito como “mentirosa” e sem amparo nos fatos. O presidente destacou que a gestão municipal tenta “terceirizar culpas” ao elegê-lo como a “desculpa oficial de 2026”, após o vencimento das justificativas focadas em gestões passadas.

“Fui aliado no processo eleitoral, contribuí com a mudança. Agora, sou apontado pelo próprio governo como culpado pelos problemas da gestão e pelo suposto desequilíbrio do governo. Tentam, através de uma milícia digital, imprimir a mim um discurso de traição e oportunismo.”

Para contrapor a tese de lentidão legislativa, o vereador apresentou dados sobre a produtividade da Câmara, informando que 69 matérias do Executivo foram apreciadas em 2025 e que restam apenas três projetos pendentes de pareceres técnicos. Segundo Moratório, o Legislativo processou 858 protocolos no último ano, mantendo o ritmo em 2026 com mais de 30 processos já em tramitação.

O parlamentar detalhou o caso da Escola Cívico-Militar para exemplificar que os atrasos partem de falhas técnicas da própria prefeitura. Ele explicou que o projeto precisou ser retirado e reenviado quatro vezes pelo Executivo devido a vícios de inconstitucionalidade apontados pela procuradoria da Casa, como a previsão de pagamentos diretos a militares estaduais sem o devido convênio.

Moratório ressaltou que a relação com a prefeitura se desgastou pela “falta de diálogo e pelo excesso de vetos às indicações dos vereadores, e não por questões partidárias”. O presidente citou como exemplo a rejeição da base governista à proposta de alteração no auxílio-alimentação dos servidores, o que, para ele, demonstra que a Câmara prioriza o bom senso e a autonomia institucional.

Ao tratar das agressões verbais sofridas, o vereador afirmou que responderá “à altura” a qualquer tentativa de diminuir seu mandato ou seu trabalho. Ele enfatizou que, embora tenha sido aliado no processo eleitoral, não aceitará a ingerência entre os poderes e continuará defendendo a independência do Legislativo diante de medidas que considera autoritárias.

Por fim, o presidente da Câmara garantiu que todos os projetos enviados pelo Executivo que estiverem livres de vícios jurídicos e respeitarem o rito democrático serão votados com celeridade. Moratório reafirmou seu compromisso com o município de Parauapebas, assegurando que o trabalho da presidência seguirá focado no benefício da população e no respeito institucional entre as autoridades.

Deixe o seu comentário

Posts relacionados