Projeto Luanga prevê início das operações para 2027 e coloca Curionópolis (PA) na rota global dos metais estratégicos

Bravo Mining aposta na mão de obra e no comércio do município para viabilizar maior reserva de platinoides das Américas; verticalização mineral vai gerar empregos e renda na região de Carajás.

O município de Curionópolis, no Sudeste do Pará, está prestes a consolidar sua posição como um dos polos minerários mais estratégicos e sustentáveis do mundo. Conhecida pela sua histórica contribuição na Província Mineral de Carajás, a cidade é o coração do Projeto Luanga, capitaneado pela Bravo Mining, cuja operação está prevista para iniciar em 2027, tornando-se o motor da economia local. O empreendimento não apenas diversifica a produção mineral da região — focando em metais críticos como Platina, Paládio e Níquel —, mas coloca a cidade como peça-chave na transição energética global.

A Mina de Luanga tem 8,1 Km e é a maior descoberta recente do planeta destes platinoides. O projeto, que faz divisa com a mina Serra Leste (Vale), representa um investimento de US$ 677,6 milhões. No entanto, para além das cifras bilionárias, o grande diferencial está no compromisso assumido pela Bravo com a comunidade local. A estratégia prevê a extração em Curionópolis com processamento industrial verticalizado no Pará, garantindo que a maior parte da riqueza, dos impostos e, principalmente, das oportunidades de trabalho permaneça no município.

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De Curionópolis a Barcarena: A rota da verticalização

Diferente do modelo tradicional de exportação de minério bruto, o Projeto Luanga foi selecionado como o projeto âncora da nova Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena. A estratégia, chamada de “Luanga + Smelter”, prevê que o minério extraído em Curionópolis percorra 590 km até o porto de Vila do Conde para ser processado em uma unidade de fundição própria.

Para o presidente e CEO da Bravo Mining, Luís Azevedo, esse é o grande trunfo do estado. “O nosso produto final na forma de metal, agregará mais valor, gerando mais empregos diretos e indiretos e renda, mais impostos, e assim concretizaremos um dos objetivos do Estado Pará que é a verticalização da produção mineral”, afirmou em entrevista exclusiva ao CKS Online.

Presidente e CEO da Bravo Mining, Luís Azevedo.

O investimento inicial é estimado em US$ 677,6 milhões, com uma produção anual prevista de 255 mil onças de paládio e 158 mil de platina, além de 8,5 mil toneladas de níquel.

A previsão é de que a operação do projeto inicie no próximo ano. “Nosso desafio agora é completar estudos econômicos, completar os licenciamentos e obter linhas de financiamento, mas acreditamos que em 2027 podemos iniciar e para isto contamos com apoio dos agentes municipais, estaduais e federais”, informa Azevedo.

Comércio e mão de obra em expectativa

O impacto local em Curionópolis já começa a ser desenhado. De acordo com a Bravo, cerca de 80% do investimento total do Projeto Luanga será destinado para o município. A estimativa inicial é de que sejam gerados 500 empregos diretos e a empresa se comprometeu a capacitar e aproveitar a mão de obra local, principalmente da região de Serra Pelada.

Funcionários da Bravo Mining

“A nossa demanda será por operadores de máquinas e equipamentos, técnicos (em metalurgia, mecânico, elétrica, instrumentistas, químicos, etc.), operadores, auxiliares administrativos, e profissionais de nível superior, geólogos. Queremos atrair esta mão de obra para residir em Curionópolis, por isso a prioridade será por profissionais que já residam no município ou em suas cercanias”, enfatiza Azevedo.

O setor de serviços do município também está com boas expectativas relacionadas ao Projeto Luanga, segundo a presidente da Associação Comercial e Agro Industrial de Curionópolis (ACAC), Iraides Campos.

“O setor produtivo local enxerga o empreendimento como um vetor estratégico de desenvolvimento econômico, geração de emprego, fortalecimento da cadeia de fornecedores locais e ampliação da arrecadação municipal, com reflexos diretos na qualificação do ambiente de negócios da região”, avalia.

Presidente da ACAC, Iraides Campos

Campos acredita que a operação do Projeto Luanga vai impactar significativamente o setor de serviços, especialmente hotelaria, alimentação, transporte, comércio varejista e o mercado de locação imobiliária. Ela destaca que a ACAC possui um planejamento contínuo e estruturado voltado à preparação do empresariado local para atender grandes operações minerárias, devido à presença de mineradoras de grande porte na região, como Vale, Oz Minerals e Ligga.

“O empresariado de Curionópolis já se encontra tecnicamente preparado, organizado e apto a atender padrões elevados de compliance, qualidade, escala e governança exigidos por projetos de classe mundial, como o Luanga”, relata.

A presidente da ACAC ressalta ainda que a entidade mantém parceria com o Sistema Nacional de Emprego (Sine) local para qualificar o banco de dados e garantir que as vagas fiquem na região.

A reportagem do CKS Online entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Prefeita de Curionópolis, Mariana Chamon, para que ela informasse como o município tem se preparado para os impactos do Projeto Luanga, principalmente nas áreas econômica e social, porém, não obteve resposta.

Licenciamento e sustentabilidade

Em março de 2025, o Governo do Pará, via Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), emitiu a Licença Preliminar (LP) do projeto, um marco que valida à viabilidade ambiental e social. A proposta nasceu com compromissos robustos:

  • Energia Limpa: Operação 100% renovável via parceria com a Casa dos Ventos.
  • Reflorestamento: Mais de 50 mil árvores já plantadas (95% frutíferas doadas à comunidade). “Priorizamos a recuperação e a regeneração de áreas já desmatadas no entorno do nosso projeto, tendo como foco os pequenos produtores rurais do município”, relata Azevedo.
  • Social: Apoio a projetos que atendem 370 pessoas em Serra Pelada e Curionópolis, focando em educação, esporte, cultura e lazer.

“Desta forma, a Bravo demonstra na prática seu compromisso com a sustentabilidade já na fase inicial do projeto, e estas ações se intensificaram nas próximas fases. Nosso compromisso é mostrar que, liderado e realizado por brasileiros, a Bravo pode fazer mais e melhor!”, conclui Luís Azevedo.

Um player global contra o risco geopolítico

Atualmente, a produção de platinoides é concentrada na África do Sul (60%) e na Rússia (30%). Com as tensões geopolíticas russas e os desafios de sustentabilidade em minas sul-africanas, o mundo olha para o Pará como uma alternativa segura e verde.

O Brasil consome anualmente cerca de US$ 550 milhões em platinoides para sua indústria automotiva (catalisadores). O Luanga tem potencial para suprir essa demanda interna e ainda abastecer o mercado das Américas, reduzindo a dependência de importações distantes.

Redação CKS Online

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