Em meio à acirrada disputa geopolítica pelo mercado de terras raras, o governo brasileiro estuda estipular um objetivo ousado: conquistar 20% da produção global desses minerais até o ano de 2040. A notícia, publicada pela Agência Infra, foi detalhada em um estudo encomendado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e desenvolvido pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), contando com o suporte técnico da União Europeia e aporte financeiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
De acordo com a reportagem, essa análise técnica recém-concluída servirá de base para a criação da “Estratégia Nacional de Terras Raras”. Para abocanhar a fatia de 20% do mercado daqui a 14 anos, o país precisará ofertar 75 ktpa (quilo/toneladas por ano) de Treo (Óxido de Terras Raras Total). Estimativas da Argus Media apontam que a produção global deve encostar em 380 ktpa de Treo nesse mesmo período, o que exigirá aportes massivos no segmento de extração e concentrados, conhecido como upstream.
O plano regulatório também projeta cenários para as outras duas etapas do setor. O midstream envolve a separação, refino e transformação dos elementos em óxidos. Já o downstream abrange a confecção de ímãs permanentes, ligas metálicas e componentes industriais de alta tecnologia e valor comercial.
Conforme o site apurou com fontes que acompanharam a elaboração do documento, as metas de curto e médio prazo darão robustez ao plano nacional. Olhando para o horizonte de 2040, o Brasil projeta alcançar, no midstream, uma capacidade instalada de separação de 40 ktpa de Treo. Desse total, 10 ktpa correspondem aos valiosos grupos de Neodímio-Praseodímio e Disprósio-Térbio. No segmento de downstream, o objetivo mapeado é atingir uma escala de produção de 5 ktpa de ímãs permanentes.
O MME agendou a apresentação do relatório ao mercado para a próxima sexta-feira (19), reforçando no convite oficial que as diretrizes estão sintonizadas com a transição energética, inovação tecnológica, minerais críticos e competitividade da indústria nacional.
Desafios e Geopolítica
Uma fonte do setor ouvida pela Agência iNFRA relatou que, durante a concepção do diagnóstico, tanto técnicos do governo quanto especialistas defenderam a adoção de metas agressivas para o aproveitamento das reservas nacionais. Contudo, o interlocutor ponderou que estruturar a cadeia completa — do estágio mineral até o produto final —, replicando o modelo pioneiro da China, representa um desafio monumental.
A matéria destaca que o estudo recomenda uma série de diretrizes para acelerar esse desenvolvimento. A jornada é complexa, partindo da mineração de 17 elementos químicos na natureza até a aplicação deles em tecnologias limpas e estratégicas, como carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
Por deter a segunda maior reserva mundial desses minerais, o Brasil atrai os olhares das grandes potências. Para viabilizar as metas propostas, o levantamento sinaliza a urgência de criar indicadores de monitoramento, planos de ação claros, além de reformas na agenda regulatória, incentivos tributários, garantias socioambientais e linhas de financiamento.
Essa postura vem ao encontro da agenda internacional do Palácio do Planalto. Na última terça-feira (16), durante a cúpula ampliada do G7 na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância de o país deixar de ser apenas um exportador de matéria-prima bruta. O mandatário enfatizou que as nações ricas em minerais críticos precisam se integrar às fases mais lucrativas da cadeia global por meio da industrialização, transferência tecnológica e capacitação técnica.











