Lula critica Vale por compra de navios chineses em vez de apoiar a indústria naval brasileira

Em discurso na Bahia, presidente cobrou responsabilidade nacional de mineradora privatizada, criticou dependência de fertilizantes e atacou privatização da Eletrobras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a diretoria da Vale durante uma agenda oficial na Bahia. O mandatário criticou abertamente a decisão da mineradora de encomendar navios de carga na China, preterindo a indústria naval brasileira. Para Lula, a postura da companhia — que já foi estatal — vai na contramão dos esforços do governo federal para reaquecer os estaleiros nacionais.


​”Não tem sentido a gente fazer esforço em estaleiro brasileiro e que a Vale esteja gerando emprego na China”, avaliou o presidente.


​Lula adiantou que pretende levar o descontentamento pessoalmente a Gustavo Pimenta, presidente da Vale, argumentando que a estratégia de importação da empresa “não é correta com o Brasil”.


​Soberania e o “complexo de vira-lata”
​As declarações do presidente foram feitas durante uma visita às instalações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). A unidade retomou as operações em janeiro de 2026, impulsionada por um aporte de R$ 5,9 bilhões do Novo PAC.


​Utilizando a reativação da fábrica como símbolo de sua agenda de reindustrialização, Lula mirou na forte dependência externa do agronegócio brasileiro, que hoje importa cerca de 90% dos insumos que consome. Sem citar nomes, o presidente ironizou gestões anteriores, afirmando que o país já foi governado por pessoas com “formação política de vira-lata”, focadas em priorizar o capital estrangeiro em detrimento do desenvolvimento interno.


​Lula reforçou que, como uma das maiores potências agrícolas do planeta, o Brasil tem a obrigação estratégica de buscar a autossuficiência na produção de fertilizantes.


​Contra as privatizações
​O presidente aproveitou o palanque para estender as críticas ao modelo de desestatização de setores estratégicos, usando a Eletrobras como principal alvo.

Lula questionou a eficiência do setor privado e comparou os salários da antiga liderança estatal com os vencimentos atuais da diretoria corporativa.
​Segundo ele, enquanto o presidente da Eletrobras recebia cerca de R$ 60 mil mensais sob o controle do funcionalismo público, hoje os diretores da companhia privada têm vencimentos na casa dos R$ 400 mil.


​”Não é verdade que o privado é mais eficiente do que o público. O importante é que temos governo competente e governo traidor da pátria, que não é competente. Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas”, finalizou Lula.

Redação CKS Online

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