O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deu início, nesta semana, a uma marcha histórica em alusão aos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. Sob o lema “A voz pela vida calará a ambição!”, a mobilização percorre o trajeto entre os municípios de Curionópolis e Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, reunindo centenas de manifestantes em defesa da reforma agrária popular e da justiça social no campo.
A programação, que se estende de 13 a 17 de abril, conta com uma série de plenárias temáticas que debatem a questão agrária na Amazônia e a violência sofrida por trabalhadores rurais. Trabalhadores e militantes de diversas regiões já começam a chegar à Curva do S, local emblemático na Rodovia PA-150 onde, em 1996, a repressão policial resultou na morte de 19 sem-terra, evento que marcou profundamente a história da luta pela terra no Brasil.

Ao longo dos últimos dias, a marcha promoveu debates com lideranças e especialistas, como o professor Evaldo, da UNIFESSPA, e as dirigentes do MST Ayala Ferreira e Divina Lopes. Os temas abordaram desde a influência do agronegócio na violência no campo até a construção de um projeto popular para a agricultura brasileira. Além do caráter político, as noites foram marcadas por atividades culturais, incluindo o Cinema da Terra e apresentações do Bumba meu Boi.
Para esta quinta-feira, 16 de abril, os manifestantes participam da quarta parada da marcha, focada na estruturação do programa agrário. A caminhada segue em ritmo constante, servindo como um ato de resistência e um lembrete das dívidas históricas do Estado com as famílias assentadas e acampadas da região. A logística do evento conta com infraestrutura de apoio para garantir a segurança e o abastecimento dos participantes durante o percurso sob o sol amazônico.

O encerramento das atividades está previsto para amanhã, dia 17 de abril, data exata que marca as três décadas do massacre. Os manifestantes deverão realizar um ato político-religioso em memória aos mártires de Eldorado do Carajás na própria Curva do S, a partir das 09h. O momento é aguardado como o ápice da mobilização, simbolizando a persistência da luta camponesa apesar das tragédias sofridas no passado.







