Mulheres de Barro: Cooperativa de Parauapebas é premiada na 6ª edição do Sebrae TOP 100 de Artesanato

Sandra dos Santos Silva, integrante do projeto, conversou com exclusividade com o CKS Online, de Fortaleza, onde foi expor na 8ª Fenacce

A Cooperativa Mulheres de Barro, situada em Parauapebas (PA), está entre as cinco cooperativas vencedoras da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato. A premiação nacional reconhece as 100 unidades de produção artesanal mais competitivas do país, valorizando os padrões de qualidade, as boas práticas de gestão e o incentivo à sustentabilidade na atividade artesanal. Como reconhecimento, as cooperativas premiadas ganham o direito de utilizar o selo oficial por três anos, apoio para a cerimônia de premiação marcada para novembro no CRAB, no Rio de Janeiro (RJ), além de inserção no catálogo oficial e participação em ações de promoção comercial.

A trajetória da cooperativa está profundamente enraizada na história do município paraense. Sandra dos Santos Silva, integrante do projeto, conversou com exclusividade com o CKS Online, de Fortaleza, onde foi expor na 8ª Fenacce relembrou a chegada da família à região: “Chegamos em Parauapebas em 81 com meus pais dona Alice oliveira e seu Manuel Luis ‘Seu Piauí’ que ajudou no corte dos terrenos do bairro Rio Verde.” Ela destaca ainda sua vivência cultural na cidade desde a década de 1990: “Desde o Século passado na década de 90 estou em Parauapebas fazendo arte e expondo nos primeiros eventos da cidade, Facipa que virou a Fap, Junifest que virou festival Jeca Tatu, desde os primórdios do evento.”

Continua depois da publicidade

A origem do coletivo remonta a um intercâmbio realizado em 2003 em Belém, momento em que Sandra percebeu a necessidade de resgatar a identidade cultural do artesanato local. O ponto de virada ocorreu em 2005, com a entrada no programa de Educação Patrimonial vinculado ao licenciamento da Mina do Salobo. A iniciativa, conduzida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, baseou-se em pesquisas arqueológicas que identificaram artefatos cerâmicos produzidos por indígenas Tupi-Guarani na Serra dos Carajás há cerca de 6 mil anos a.C.

Dessa pesquisa nasceu a cerâmica inspirada na Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri, distinguindo-se por processos sustentáveis e exclusivos. “A única cerâmica do Brasil que Coleta argila descartadas em obras licenciadas, evitando a degradação das margens dos rios”, pontua Sandra. O diferencial técnico e artístico é complementado pelo uso de insumos reaproveitados: “Utilizamos óxidos minerais descartados dos laboratórios de analise mineral descartados para produção de tintas e a aplicação dos grafismos arqueológicos fazem da cerâmica únicas no mundo.”

Após seis anos de formação, a Cooperativa Mulheres de Barro foi formalizada em 2013. Atualmente, ela gerencia o Centro de Exposição e Educação Patrimonial Mulheres de Barro, espaço que completa dez anos de atendimento público oferecendo imersão artística e cultural voltada para crianças, adultos e, majoritariamente, mulheres. Todos os serviços são prestados gratuitamente à comunidade por meio de leis de incentivo, com patrocínio do Instituto Vale e de empresas atuantes na mineração regional. Para os membros, a conquista do prêmio representa um marco de valorização: “O prêmio para nós é a visibilidade nacional do trabalho dos cooperados da cooperativa mulheres de barro”, conclui Sandra.

Uma resposta

  1. Adoro acompanhar a evolução do coletivo. Eu e Sandra já choramos juntas na frente do forno quando elas conseguiram recursos para comprar um profissional. Trabalho impecável. História compartilhada com diversos públicos! Vida longa para as Mulheres de Barro!

Deixe o seu comentário

Posts relacionados