Presidente e diretor-executivo do ICMM, Rohitesh Dhawan.

O presidente e diretor-executivo do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), Rohitesh Dhawan, marcou presença no primeiro dia da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026). Ele conduziu a palestra “A nova geopolítica dos minérios” e abordou as transformações em curso no setor mineral em diferentes regiões do mundo. Em sua apresentação, destacou iniciativas que buscam conciliar o desenvolvimento da mineração com a preservação ambiental, a inovação tecnológica e o diálogo com comunidades e povos tradicionais.
Para Dhawan, o setor mineral atravessa um período de mudanças estruturais, impulsionado, entre outros fatores, pela crescente demanda por minerais críticos e pelo desafio de incorporar novas tecnologias e práticas sustentáveis aos processos produtivos.


Entre os exemplos apresentados pelo executivo, está o avanço da automação na mineração de minerais críticos nas Filipinas, especialmente de níquel e cobalto. “Eles estão produzindo em nove meses o que produziam em nove anos”, afirmou. De acordo com Dhawan, reformas regulatórias recentes contribuíram para acelerar a transformação tecnológica do país, em um cenário marcado pelo aumento da demanda por minerais estratégicos e pelo imperativo de ampliar a adoção de práticas sustentáveis. Ele explica que as Filipinas são o quinto país com maior potencial de recursos minerais ainda não explorados, segundo dados do Mines and Geosciences Bureau (MGB), atrás de Rússia, Austrália, China e Canadá.

Parcerias e inovação
O painelista também ressaltou a importância de ampliar a capacidade de atração de investimentos destinados ao desenvolvimento e à implementação de tecnologias sustentáveis na mineração. Para o executivo, a cooperação entre empresas, governos e demais atores da cadeia mineral, é fundamental para enfrentar os desafios atuais e preparar o setor para as transformações futuras. “É fundamental construir boas parcerias entre nós, e, para isso, contamos com a contribuição do Brasil”, afirma.

Segurança e saberes ancestrais
A segurança operacional também foi destaque em sua fala. Sobre esse ponto, frisou o compromisso de fortalecer uma cultura de prevenção no setor e, por consequência, a proteção dos trabalhadores como prioridade nas atividades minerárias. “Nossa prioridade número um precisa ser a segurança nos postos de trabalho”, enfatizou Dhawan.
O combate à mineração ilegal integrou as discussões, sendo apontado como uma frente de muita relevância para o setor. Na ocasião, o executivo ressaltou a importância de ampliar o debate sobre a gestão de rejeitos e fortalecer o diálogo com comunidades indígenas e outros povos tradicionais com vínculos históricos, culturais e territoriais com as regiões onde são desenvolvidas atividades minerais.
Ao abordar sustentabilidade, legado e os desafios impostos por um cenário de constantes transformações, Dhawan também destacou o valor dos conhecimentos tradicionais e das práticas ancestrais como referências que podem contribuir para a construção de respostas diante das incertezas contemporâneas. “É sempre bom voltarmos aos conhecimentos do passado”.
Fonte: Portal do IBRAM











