O estado do Pará deve ganhar, no segundo semestre de 2026, o comissionamento da primeira planta em escala semi-industrial do mundo voltada para a produção de ferro metálico a partir da recuperação de resíduos de bauxita. O projeto, liderado pela New Wave, utiliza uma tecnologia pioneira de micro-ondas para transformar os resíduos no chamado “ferro verde”, um produto de baixa pegada de carbono. A unidade está sendo instalada em Barcarena, em uma área da Hydro Alunorte, e já conta com mais de 70% de avanço físico, fruto de um investimento de R$ 250 milhões.
A iniciativa surge como uma solução para um dos maiores desafios ambientais da mineração global: o resíduo de bauxita, que possui um volume anual de 180 milhões de toneladas e cresce 6% ao ano. Ao estabelecer parceria com a Hydro Alunorte — a maior refinaria de alumina do mundo —, a New Wave busca transformar esse passivo em um ativo econômico. Segundo o CEO Gustavo Emina, a tecnologia “Wave Aluminium” tem potencial para se tornar a referência global de sustentabilidade para o setor.
O diferencial competitivo da New Wave reside na interseção entre a Deep Tech e a Inteligência Artificial. A empresa desenvolveu a técnica Microwave Energy Transfer, que utiliza micro-ondas para o processamento mineral e metalúrgico. Além disso, a companhia opera uma “super inteligência artificial” alimentada por uma base de dados de 30 terabytes, capaz de prever o comportamento de minerais sob diversas condições térmicas, acelerando a descoberta de novos processos industriais.
A estrutura da New Wave funciona como uma plataforma de inovação dividida em cinco unidades. O centro tecnológico, sediado no Rio de Janeiro, conta com 100 pesquisadores e laboratórios de ponta onde as tecnologias são testadas até atingirem maturidade industrial. Quando uma inovação alcança o nível de prontidão necessário, nasce uma nova empresa, como foi o caso da Wave Aluminium e da Wave Lithium, esta última focada em produzir concentrado de lítio com custo 50% inferior ao praticado na China.
Além do alumínio e do lítio, a empresa expande sua atuação para outros minerais estratégicos. A unidade Wave Nickel detém patentes para transformar níquel laterítico em MHP com geração de coprodutos que tornam o custo de produção extremamente competitivo. Já a Wave Rare Earths foca na extração de terras raras contidas na lama vermelha, utilizando gêmeos digitais e robótica para obter escalabilidade em processos que poucas empresas no mundo conseguem executar.
Fundada em 2019 com o apoio da gestora Lorinvest, a New Wave já atraiu mais de US$ 120 milhões em investimentos de fundos globais, como o Orion Resource Partners e o Just Climate, ligado a Al Gore. Com uma linha de crédito recente de R$ 221 milhões aprovada pelo BNDES, a empresa consolida seu modelo de negócio baseado no licenciamento de tecnologias proprietárias e no recebimento de royalties, posicionando o Brasil na vanguarda da mineração sustentável global.












Uma resposta
Que notícia boa!
Resolver um imenso gargalo na produção do alumínio…..